10 de mai de 2010

A história da borboleta

Resolvi começar a semana escrevendo. Cheia de coisas pra estudar, com pouco tempo, e com vontade quase nenhuma de fazê-lo, escrever me leva pra uma dimensão diferente por um (breve) espaço de tempo.
Enfim. Um amigo-leitor me disse ontem que a sensação que ele tinha é de que eu estou revoltada. Que essa é a impressão que meus escritos vem passando. Comecei a pensar sobre esse comentário, mas não foi difícil encontrar uma explicação pro que vem acontecendo. Eu considero que, ao longo da minha vida, eu sempre fui uma pessoa com experiências diferenciadas, e com uma audição que me fez adquirir experiência das vivências alheias. Eu sempre passei confiança para as pessoas, e acabei me tornando confidente temporária de muitos que não tinham quem os ouvisse. Sendo assim, aprendi dobrado. Por mim, e por outros. Dessa forma, minha cabeça sempre foi consideravelmente ausente de preconceitos, até onde o meio externo e o determinismo que ele causava em mim permitiam que eu fosse. Ouvi traições, medo, sexo, falsidade, inveja, ambição, excesso de poder, desde pequena. Não somente por ter sido criada em um ambiente onde meus pais conversavam comigo sobre as notícias dos jornais, como também por ter sido criada entre empregados que tinham seus próprios problemas. E, ainda por cima, por ter tido a chance de ver e viver duas realidades completamente diferentes: estudei numa escola de classe média alta, e em casa convivia uma parte considerável do meu tempo entre pessoas da classe baixa, já que meus pais passavam a maior parte do tempo trabalhando. A presença dos meus pais foi pontual, mas me deu uma perspectiva de vida que eu agradeço sempre que tenho a oportunidade. Eles me ensinaram mais com o exemplo do que qualquer educação rígida pode ensinar. Proporcionaram um ambiente tranquilo onde eu podia e tinha a possibilidade de adquirir conhecimento, e desde pequena era presenteada com um equilíbrio proporcional entre livros e brinquedos. Não tendo sido privada de enxergar a realidade, como a maioria das crianças é, eu adquiri uma maturidade relativamente precoce. Nunca tive maiores problemas em conversar com pessoas mais velhas, e sempre apreciei o tom nostálgico e educador com que contam o que viveram, viram, ouviram. Num aspecto global, isso me proporcionou uma visão diferenciada. Sendo assim, muito nova eu aprendi que a primeira impressão nem sempre é a verdadeira, que existem certas verdades que mesmo que sejam desagradáveis, são incontestáveis, que a realidade fala por si, que todos erram, mesmo aqueles que julgam o mesmo erro em outrem. E ao longo da minha vida tudo isso foi sendo reiterado pelas confidências que eu ouvia, pelas cenas que eu presenciava e guardava na memória, pelos momentos em que eu parava pra refletir sobre, pelos filmes que eu vi, pelo que eu vivi. Por algum tempo, me incomodei com essa diferença. Demorou pra que eu entendesse que essa minha essência é o que eu tenho de mais valioso, porque me permite apreciar o convívio das pessoas mais diversas, saber enxergar nelas o que elas tem de bom, não esperar delas mais do que elas tem a oferecer. E também a analisar os fatos sob uma perspectiva mais racional e pragmática do que a maioria das pessoas. Demorei a entender que uma desgraça que choca muitos nem sempre vai me impressionar, mas que um mendigo na rua vai ser sempre um motivo de aperto no meu coração. Demorei a entender que o que me toca é a essência profunda e verdadeira da raça humana, que é apreendida muitas vezes numa atitude pequena, e que as grandes atitudes são apenas o meio pra chocar as pessoas, quando elas não enxergam os detalhes. Nunca me impressionei demais com catástrofes, porque elas atingem em grandes proporções, apenas, o que acontece o tempo todo. E como eu sempre fui mais sensível aquilo que me é acessível, sofro mais com um depoimento de uma criança orfã do que com uma chuva que mata 100. Porque a chuva que mata 100, que o jornal anuncia, passa de quando em vez uma ou outra família, e as pessoas se comovem enquanto as famílias estão na TV. E depois esquecem. Se for pra ter uma preocupação egoísta e hipócrita que dura 5 minutos, eu me privo de fazê-lo. Até porque em certos momentos a angústia que me invade é tão grande que eu me vejo sem chão, me sinto impotente e prefiro não deixar que cada evento degradante do dia a dia me leve a essa condição. Não sobraria espaço para eu ser algo além, que possa de alguma forma contribuir. Por isso, sempre fui consideravelmente alheia, pelo menos enquanto não há nada que eu possa fazer. Nada grande, sabe? Enfim, mas não era esse o objetivo desse texto.
Eu quero explicar porque essa revolta aparente. Não necessariamente explicar pra você, que me lê. Pode ser que eu apenas lhe dê mais uma impressão, e não uma explicação. Mas as coisas que fazem sentido pra mim nem sempre vão fazer pra você. Continuando, desde pequena eu fui meio anormal, por reparar demais, sentir demais, me importar demais, me incomodar demais, ser madura demais, saber demais sobre os outros, me dedicar e me comprometer demais. Tive atitudes de gente grande desde muito nova. Isso tem seu lado ruim, e ele não é pequeno. Um dos componentes disso é o meu senso de responsabilidade. Desde pequena, o certo sempre foi pra mim o único caminho a se seguir. E como eu precocemente sabia o que era certo, precocentemente eu me sentia obrigada a fazê-lo. Não furar aula, não tirar nota ruim, não desobedecer meus pais, não ser chamada a atenção, ser aluna modelo, ser pessoa modelo, ser amiga modelo, ser filha modelo. Às vezes isso me sufocava tanto que o que me restava era recorrer ao meio de fuga. A minha fuga foram os estudos. Ainda bem, eu canalizei pra uma atividade que me acrescentou, e por isso, somente por isso, eu hoje não sou reprimida ou angustiada com meu passado. Porque hoje colho os frutos dessa dedicação de uma vida inteira. Mas eu não colho somente os frutos bons. Uma árvore, por mais produtiva que seja, precisa ser podada e que se retire dela as partes danosas. Pois, assim seja. Há, decerto, ervas daninhas que ficaram desse meu passado. E quais foram? Eu sempre tive uma visão romântica, ideal, modelo, perfeita da vida. É mais ou menos como se eu tivesse crescido imaginando que as coisas deviam acontecer de forma meio "taylorista": havia somente uma única maneira certa de fazê-las. Privei-me a certo ponto dos erros, e me abstive de cometê-los, que me tornei uma desconhecedora da possibilidade de aprendizado que eles proporcionam. Cresci e me tornei uma corajosa em terreno conhecido, mas uma medrosa em terras desconhecidas. Elas me assustavam e me encantavam. Algumas vezes, tentei ir ao seu encontro, mas cirscuntâncias mil me impediram. Proteção, amor, medo, responsabilidade, vigília. Assim surgiu a borboleta que ficava presa pela ausência de liberdade que se lhe impôs, tanto a sociedade e o seu passado, quanto ela mesma pelos seus medos. A borboleta que sabia como ninguém que haviam várias correntes de ar onde poderia voar, como elas seriam, onde encontrá-las. Mas que tinha medo de descobrir onde elas iriam levar, ou de enfrentar o que fosse preciso pra ir em busca dessa descoberta. E por muito tempo, assim o foi. Uma possibilidade, apenas. Há pouco tempo, resolveu primeiro assumir que era, de fato, uma borboleta. E isso eu concretizei quando a tatuei nas minhas costas. Um pouco antes disso, e a partir de então, resolvi tentar sair da jaula. Mas, como toda mudança é lenta e gradual, é preciso primeiro sair pra passear, dar uma volta de reconhecimento. Pois, pra quem viveu muito tempo em determinado ambiente, mudar de ares é um desafio. E requer esforço contínuo, determinação, dedicação. Porque as amarras já não existem mais. Se antes haviam impedimentos à sua liberdade de voar, que além disso eram também desculpas, hoje não existem mais. De forma que, caso a borboleta abstenha-se desse alçar voo, não há a quem atribuir a responsabilidade. Isso torna essa atitude ainda mais importante. Por isso, e especialmente por isso, não há como ser ao mesmo tempo uma possibilidade e uma realidade. Ou seja, eu não posso ser ao mesmo tempo aquela que fala e aquela que faz. Por isso soa revoltante. Soa revoltante porque eu decidi me dedicar a descobrir o que eu não conheço. Ninguém pode ao mesmo tempo conhecer e desconhecer algo. Conhecer, por um lado, é cômodo, seguro, confortante. Desconhecer é incômodo, desafiador, inquietante, empolgante, amedrontador. Os sentimentos envolvidos na ausência são mais inconstantes, mais tumultuados. E isso requer uma descarga de energia. Até porque, a fragilidade e a fraqueza humana implicam recaídas e recomeços. Não posso soar calma e introspectiva quando a minha vida caminha para um patamar diferente. Eu não sei o fim, nunca soube. Mas agora eu admito que não sei, e entendi que a importância maior deve ser dada aos meios. Os fins são uma consequência dele. Claro, delineei possibilidades que me agradariam. A, B, C ou D. A e B eu sei exatamente como são, mas de C e D eu tenho apenas ideias. Porque decidi que a certeza constante é excessivamente calma e arredia. E a minha paz de espírito não se encontra mais nessa calma. Mas nem ela sabe ainda disso. A aventura me convida pra um passeio, e agora eu não enxergo dentro de casa tudo o que eu acreditava ter. Mas, como a realidade é sempre relativa, em alguns momentos eu volto a enxergar como antes. Mas não quero, porque sei que é uma visão limitada e iludida. Pois bem, digo agora o que Marx disse. A mudança surge da revolta. Só a revolta e uma possibilidade que deu errado é que são motores de uma mudança verdadeira e vinda de dentro pra fora. Aparentemente, descobri como um dado os erros e acertos do meu caminho até então. Quero guardar os acertos, e buscar novos erros. Porque o aprendizado é um vento que leva além.

7 de mai de 2010

Sobre como saber o que esperar muda a perspectiva

Finalmente encontrei um tema legal pra desenvolver. Vinha procurando há um tempo. Ontem passei a noite conversando com uma amiga, e ela estava online no msn dela. Durante a conversa, um ex-paquera com quem ela vem conversando veio falar com ela, e disse algumas verdades que eu percebi que incomodaram um pouco. Mas incomodariam a qualquer mulher. Eu acompanhei o "relacionamento" que eles tiveram, que foi bem curto e espaçado, porque ele mora em outra cidade. Eu lembro que ela me dizia que ele era o homem perfeito, inteligente, interessante, bonito, maduro, e etc. Mas, engraçado, ele sempre queria terminar a noite com ela você-sabe-onde. Mas ela não cedeu, e aparentemente isso foi um dos motivos do fim da história, porque ele sumiu em seguida. Mas, então, depois de um tempo, ele apareceu se explicando e ela acreditou. Conversa furada de homem cara de pau. Passaram um tempo sem se falar, e voltaram a se falar recentemente. Ele sempre dando encima dela, soltando diretas e indiretas, e ela sempre jogando com ele. Posso afirmar que essa minha amiga sempre foi meio independente, mas insistia em se meter em relacionamentos que nem ela queria. Agora, ela está mais realista, e me disse que não quer se envolver sério com ninguém, e que inclusive prefere que isso não aconteça num futuro próximo. Pois bem. Ela se relacionou com ele um pouco mais nova e ingênua, esperando que ele fosse o homem da vida dela. Hoje, ela me disse que sabe que talvez nem exista esse homem,e que se existir, ele não apareceu ainda. E esse ex-paquera não representa nada senão um homem bonito, interessante, atraente e charmoso, que pode ou não servir como uma companhia de alguns momentos, de acordo com a vontade de ambos. Na verdade, é o que os homens deveriam representar sempre pra gente. Porque é assim que as coisas são. Se tiver que haver algo além disso, com certeza não vai ser porque você esperou que houvesse, ou muito menos porque você disse no primeiro encontro que quer ter 3 filhos. É uma coisa NATURAL. Sabe o que ele disse pra ela ontem? "Eu não presto pra você, sou safado, infiel, cafajeste, mulherengo.. do pior tipo. Incorrigível.". Mas continuou dando encima dela e chamando ela pra sair. E dizendo que eles ainda iam sair de novo. Veja bem, eu sou mulher. Enquete rápida:
A maioria das mulheres escuta isso e pensa: a) não quero sair com um homem assim, b) eu posso fazer ele se apaixonar por mim, c) o que eu tenho a perder?, ou d) ótimo, com as intenções bem definidas ninguém se envolve. Posso garantir que 85% oscila entre a ou b. As que pensam a, são as que querem um relacionamento sério, casamento, um homem "fiel", do jeito que a Igreja prega, e não admitem esse "tipo de personalidade". A maioria acaba casando com um homem igual ou pior do que isso, porque são tão idealistas e cegas que nem percebem que é impossível achar um homem perfeito e que o que tá do lado delas é um exemplo claro de a-perfeição. As que pensam b, são do tipo dependentes emocionais, carentes, inseguras, sonhadoras, românticas. E eu nem preciso falar, que entrar num relacionamento desse tipo achando que vai mudar a opinião dele é uma furada. Garantia de sofrimento em menos de 1 ano. Algumas, corajosas e destemidas, pensam na letra c, e veem no que essa história pode dar, sem esperar muita coisa. E as do tipo d, são as mulheres-com-pensamento-de-homem, e existem algumas sendo educadas nessa escola por aí. Bem, e claro existem mulheres que são um pouco de cada, ou uma combinação de duas ou mais, dependendo da situação e do homem. Tem homens que realmente sabem enganar, mentir, fingir, e outros que nem precisam fingir, são escancarados. Tem pra todos os gostos.
Mas, o ponto que eu quero chegar é que, independente do tipo que você for, é bom que você saiba o que esperar. E tenha isso em mente. Minha amiga, por exemplo. Na primeira vez que saiu com esse fulano, esperava um namorado. Agora, ela sabe que, se sair com ele, não pode esperar isso. No máximo, um relacionamento casual. Mas agora ela sabe, porque ele fez questão de dizer, pra se isentar de culpa caso alguma coisa aconteça. O que ele quis dizer, basicamente, foi: "Eu não presto, mas quero ficar com você. Se você quiser, a gente pode se divertir, mas não venha me cobrar nada. Eu não estou disposto a entrar em nenhum tipo de relacionamento com você."
Seria bom que todos os homens fizessem isso. Ajudaria as mulheres a escolher melhor. Mas, fazendo ou não, eles sempre deixam pistas sobre o que querem, e como querem. Até porque, minha gente, sejamos realistas: quando o homem quer, o céu é o limite. Eles fazem o que for preciso pra conseguir a mulher que eles querem, porque é da natureza deles ser assim. Então, se você quer entrar num relacionamento com alguém que não dá o menor sinal de que você é essa mulher-incrível que vai fazê-lo querer ser o melhor homem do mundo pra você, não vá reclamar depois. Tudo é uma questão de escolha. Ás vezes o sofrimento vem e a gente reclama que não sabe porque, mas eu acredito que ninguém é ausente de culpa ou inocente. De uma forma ou de outra, suas atitudes influenciaram no que você passou, passa ou vai passar. Certo, mas mesmo assim, é preciso lembrar que existe um período PROBATÓRIO, que pode durar de dias a anos, dependendo do caso, onde as coisas precisam acontecer naturalmente. Isso significa que não adianta forçar, pressionar, fazer macumba, ir em cartomante, arrumar outro, seduzir, não adianta. Você precisa esperar e deixar que aconteça. Adiantar as horas do relógio não vai fazer o tempo passar. E quer saber? Eu acho que esse comportamento deveria ser universal. Essa história de toda mulher ter que namorar, casar, obrigatoriamente, acaba deixando todas as mulheres desnorteadas. Porque esse diabinho de "vida ideal e perfeita" insiste em ficar falando no nosso ouvido, e muitas vezes a gente segue o que ele manda e esquece de fazer o que o anjo fala. E o que é que o anjo fala? Cuide da sua vida. Cuide do que você gosta de fazer. Cuide de você. Cultive seus amigos, seus hábitos. Crie uma perspectiva de vida onde você é feliz independente de quem esteja com você. Afinal, mesmo o relacionamento é finito. Alguns duram até que a morte os separe. Mas, pelo amor de Deus, isso só deve acontecer sob a condição de felicidade mútua. Antes do relacionamento, de um namorado (a) aqui ou ali, o maior problema da sua vida é e tem que ser sempre: o que me faz feliz?

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