20 de mar de 2012

Negativos entrelaçados

Insone, volto pra minha zona de conforto. 
Dentro de mim, onde ninguém consegue ouvir, meus pensamentos reverberam, parecem ter vida. 
Chego a me sentir no meio de uma festa, ouço diferentes vozes de mim mesma, cada uma dizendo uma coisa, querendo ser ouvida, querendo ser a principal. 
Não são necessariamente pensamentos coordenados: sim, apesar de vívidos, são soltos. 
Aqui e ali, como se fossem pedaços do negativo de um filme, e eu pudesse montar, um por um, na ordem que me convém. Mas nem isso! 
Escapam-me por entre os dedos, escorregadios, despedaçam-se diante dos meus sentidos, e fico sem saber o que de fato existiu e o que foi ilusão. 


Mas existe ilusão dentro do meu próprio pensamento? Ou seria a ausência de consciência dentro do meu inconsciente já desprovido de uma?
Me pego sem saber, perdida por entre caminhos entrelaçados.. estou acordada, mas preferia dormir. 
Não consigo controlar a intensidade de imagens, diálogos, personagens que em um minuto se constroem e se desfazem, são livros construídos e destruídos em milésimos de segundo. 
Se ainda permanecessem um pouco mais, assim poderia colocar ordem, tentar juntar os pedaços. 
Mas me foge o controle, e de repente, quero apertar stop, mas alguém vem e passa uma borracha, e tudo fica branco novamente. 
Fico me perguntando como posso me sentir confortável se nem sei onde estou, nem como, nem quando..
E então penso que, de dentro dessa avalanche, e do meio dela, devem sair novos contornos, novas oportunidades.


Na verdade, a entropia não pode desordenar algo que já se encontra bagunçado, e talvez ela tenha mesmo a função oposta, bagunçar o bagunçado e assim, quem sabe, resultar em um filme com algum significado?
Ah, espero dormir.

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