1 de nov. de 2009

Acordei com saudade de casa

Hoje eu acordei.. com saudades de casa. Mas a minha casa não é mais a mesma, então essa saudade, é saudade de quê?
Sinto saudade da casa dos meus pais, talvez por saber que essas vão ser as primeiras férias que eu não estarei por perto.
Viajo em alguns dias, e estou esperando por essa viagem há alguns anos. Passei o ano pensando nela, em como seria, se eu iria, agora eu sei que vou, e penso em como vai ser. Já desisti de tentar adivinhar, sei que vai ser bom, mas como, só quando eu chegar lá..
Pra completar minha saudade, sonhei com alguém que me faz sentir em casa, mesmo sem estar perto dela.. Alguém que não sabe, não sabe..
E também tem a saudade dos amigos, dos antigos, dos novos, de todos que conquistaram espaço, de todos que eu me importo. Sinto falta do tempo juntos, das histórias juntos, do fazer-nada juntos, das conversas sérias juntos.. Nas férias, eu costumo encontrar com alguns desses amigos, e agora, pensando que não os verei, vejo e valorizo mais os momentos que eu poderia ter estado com eles e não estive, e os momentos que eu estive também.
Quem sabe essa já não é uma lição antecipada? Valorizar mais os momentos que a gente tem?
Hoje eu acordei triste, e agora começo a pensar que talvez seja pelas oportunidades que eu deixei passar, de convivência, de vida mesmo.. Pensamento meio depressivo pra quem vai viajar em breve, mas a gente não escolhe a hora nem como esses pensamentos surgem. Acordei e peguei um livro pra ler, li algumas páginas.. A cura de Schopenhauer. Quem sabe ele não enviou pensamentos negativos através do túmulo, pra mim? Porém eu acredito que são positivos, apesar de tristes. Uma mensagem pra que eu aproveite, aproveite, aproveite. Não necessariamente curtindo a vida adoidado, mas fazendo o que eu gosto, como eu gosto..
Nem sempre é possível fazer tudo do meu jeito, também é bom reconhecer e ter humildade para aceitar isso.
Só sei que meu coração está apertado, com medo de deixar aqui algumas coisas mal resolvidas, ou então apenas aparentemente bem resolvidas. E também com medo de deixar alguns especiais por aqui, mas eu sei que eles não vão mudar, ou as coisas entre nós não vão mudar, ou assim espero que seja..
No meu sonho, eu senti uma dor no peito por ter feito a escolha errada. E não sei se consegui voltar atrás.. Acordei antes de descobrir. Isso me deixou inquieta, porque aqui, agora, eu faria a escolha certa, mas ela não se apresentou a mim.. Ainda, espero.
A sensação que eu tenho, pensando e escrevendo agora, é a de que eu sou uma daquelas pessoas que relata as férias vividas há anos atrás, memórias de um passado bom e distante. Na verdade, o que acontece é que agora é a hora que eu tenho pra viver essa memórias, as memórias que eu terei depois, que lembrarei, sentirei saudades..

Enfim.
Perdi a linha de raciocínio.

5 de out. de 2009

Quando você precisa calar

Venho querendo escrever esse texto há um tempo. Aliás, venho pensando no título há um tempo, porque foi somente nele que eu pensei. Na minha cabeça, ele é autoexplicativo.
Venho aprendendo, aos poucos e devagar, que existem certas atitudes que só podem ser tomadas em grupos: a dois, a três, quatro, cinco.
A vontade individual nem sempre é suficiente, e muito menos funciona como combustível para uma atitude. O carro pode estar cheio de gasolina, e ainda assim não funcionar..
Eu sempre defendi, acreditei, na liberdade de escolha, de ação, de vontade, de desejos e sonhos. Sim, acredito e prezo por esse direito de ser livre. Mas, na prática, essa liberdade nunca é total: às vezes, além de escolher, precisa-se que outrem concorde em ser escolhido; ou, para fazer algo, precisa-se que outrem deixe que você o faça. Meus sonhos são meus, mas não dependem somente do que eu faço ou quero fazer.
Aprendido isso, eu vejo que na maior parte das vezes você precisa calar. E esperar. Sim, calar, porque sua vontade sozinha não vai mudar os acontecimentos. E esperar, para que apareça uma oportunidade ou uma situação em que a sua vontade vire a do outro (um ou mais). Talvez seja por isso que a terceira idade seja tão paciente.. Viveram longos períodos de espera, mesmo que nem sempre quisessem esperar.
A postura precisa ser positiva, mas serena. Forte, pra que dure e pemaneça viva. Porque muitas vezes você vai repensar sua atitude e ver se é isso mesmo. Pelo menos, assim você pode escolher.. e pensar bem antes de escolher.
Mas isso não exclui o fato de ser chato, angustiante, e difícil, bem difícil. Sim, mas eu ainda sou jovem, tenho tempo..
até aprender a esperar.

3 de ago. de 2009

Olhar de novo

Quando me diziam pra olhar duas vezes, eu achava ter entendido. Não, você nunca entende o suficiente até viver o que você tinha apenas ouvido. Porque um conselho dito soa aos ouvinte como uma história distante, passada em um lugar longíquo, nem de perto possível de acontecer a ele. Sim, o ouvinte escuta, entende, reflete, mas esquece. Se não fosse assim, os erros não se repetiriam. Ah, às vezes penso que deveria voltar e refazer alguns capítulos da minha vida. Mas aí eu me lembro que nada mudaria. Porque eu seria a mesma, não poderia voltar sendo quem eu sou hoje. De que adiantaria? Então, cada vez que eu penso nisso, acredito e vou dormir certa de que ouvirei melhor o conselho da próxima vez. O problema é que a próxima vez chega como uma intrusa, sem ser convidada e talvez sem ser notada. E quando você vê, ela está sentada no sofá, com as pernas esticadas, vendo tv e tomando o seu suco favorito. A próxima vez acontece, e você só se dá conta quando ela já terminou. Por isso que dizem que se conselho fosse bom, ninguém dava. As pessoas que aconselham, normalmente, identificaram algumas situações enquanto aconteciam. E relembraram aquela história, que tinham decerto ouvido antes, sobre Maria caminhando na estrada, e sobre os erros de Maria enquanto isso. Utilizando-se dessa lembrança, dessa vaga e fina tira de memória recortada, agem diferente de Maria. Mas a maioria nem lembra da Maria, pobre Maria.
O relógio passa, os ponteiros avançam, mas a Maria só é lembrada depois que o sino toca meia-noite. E à meia-noite as atitudes do meio dia já são lembranças. Recortadas e guardadas do lado das outras. O que fazer quando as lembranças estão vivas, mas as atitudes, mortas? Porque já foram, e não podem ser mais. É preciso conviver, reviver, e aceitar o passado morto.
É por isso, somente por isso, que reforço o conselho: olhe várias vezes. De novo e de novo. E tente enxergar se aquela ponte não é ilusão, se é segura. Se aquele pedaço de madeira é seco, se não vai lhe queimar. Se não existe um pedaço de vidro no chão, que possa lhe machucar. Olhe quantas vezes for necessário. Ah, mas isso é um conselho. Ficará ele perdido dentre todos os outros? Não cabe a mim saber ou dizer o que vai acontecer. Mas, uma vez minha visão tendo sido enganosa, eu prefiro avisar. Porque isso me priva de qualquer culpa. Não na minha vida, porque nela e sobre ela eu sou a única responsável. Mas pelo menos, que isso sirva pra vida de alguém. Pode ser você, ou ninguém.
Não apenas olhe. Mas escute, escute dez vezes mais do que você possa. E sempre que quiser falar, cale. Cale. Porque esse desejo inominado e amorfo é às vezes tão nocivo quanto diversas chibatadas. Porque o efeito de suas palavras vai muito além daquele que você deseja causar. A palavra, a sua palavra, uma vez dita, voa através do vento, e pode atingir lugares e pessoas que você nem imagina. Por isso, entenda, tente entender. Nada é por acaso. Esse clichê serve pra explicar, pra explicar que é por isso que temos sentidos. Audição, tato, paladar, visão. São todos sentidos que vêm de fora pra dentro. Você já parou pra pensar nisso? E a palavra? É uma força que nos foi dada, e o seu efeito é tão poderoso que, mesmo que você junte todos os outros sentidos, não vai conseguir compensar a sua força. Porque a palavra sai de você. É de dentro pra fora. Você é o ponto de partida de todos os fonemas que saírem da sua boca. Todos os sons, palavras, mas também dos seus efeitos. Algum dia todos entenderão, quem sabe, mas sempre nascerão outros que precisarão entender. Contudo, você, o que você faria? Aliás, o que você vai fazer? Se você pode escolher entre ouvir um conselho ou deixar que Maria tenha errado em vão, o que você vai fazer?

6 de jul. de 2009

Verbativo, Heráclito e a teoria da relatividade

Escrevi esse texto em 2007, logo que cheguei em Recife. Entre abril e junho..
Gosto muito dele, perdi meus textos e achei que tinha perdido esse. Graças a Deus ele estava no meu email, nos emails enviados.

Morar em outra cidade é uma coisa complicada. Você vive numa ponte, e não sabe pra que lado ir. Na verdade, você sabe, mas às vezes saber não é suficiente. A mudança é, em muitos casos, uma decisão pessoal, se não, pelo menos há um consentimento pessoal, e se não há, é necessário que se descubra um meio de criar, porque é necessário. É estimulante, desafiador. Mas não é fácil, nem maravilhoso. É um dia-a-dia que você tem que criar sem base nenhuma, sem os amigos de sempre, sem o apoio direto dos pais e familiares, e até dos amigos, sem um chão firme pra pisar. Você entra em terras estranhas, e eu considero essa a melhor definição dentre todas que possa encontrar-se: areia movediça. Claro, existem n pessoas que se dizem dispostas a ajudar: “Qualquer coisa pode me avisar”, “Estou aqui pro que for preciso”. E, por mais que isso não ajude, acredite, ajuda. Mas não da forma literal, ou da forma que você pensa que vai ajudar. Ajuda, sim, de outra forma, que talvez só entenda quem passa por uma situação parecida: não há coisa pior do que descobrir que você viveu, até aquele momento, acreditando depender o mínimo possível das pessoas, quando na verdade o mínimo era máximo. E esse máximo incomoda tanto que você se empenha avidamente na tentativa de extinguir essa incômoda descoberta, mas não dura muito tempo até você perceber que não foi muito válida a sua tentativa. É fato, ainda que evite ser admitido por grande parte de nós: vivemos querendo conquistar uma independência que na verdade não passa de uma busca pela melhor forma de assumir que somos, todos, direta e indiretamente, dependentes de todos os tipos de relações sociais que se possa ter simultaneamente. Sejam elas superficiais, falsas, ou as tão raras verdadeiras e profundas, precisamos de todas. E descobrir isso é, ao mesmo tempo, angustiante e aliviante. Mas não se iluda, essa é só mais uma das descobertas, porque eu já percebi que descobrir é um verbo que possui uma quantidade exorbitante de substantivos que estão tão intrinsecamente ligados a ele que algumas vezes seria melhor descobrir em meio aos gramáticos uma nova nomeação que se encaixasse entre verbo e substantivo. Não sei, talvez verbativo, não, não verbete, mas enfim. Não é essa minha especialidade. Voltando ao morar fora. Você descobre que não é tão fácil assim encontrar amigos como os seus, e que talvez você nunca os encontre, mas mesmo sabendo disso você precisa acreditar que pode encontrá-los, e, mais ainda, você tem que estar preparado e disposto a procurar, porque eles podem estar em qualquer lugar, ou em lugar nenhum. Mas ainda fico com o otimismo. Ah, e como a importância do pouco e bom aumenta, como aumenta. “Poucos e bons”. Momentos, distrações, colegas aconchegantes (os quase-amigos, aqueles que você não descobriu ainda o que falta pra se tornarem seus amigos), tempo livre, tempo livre bem gasto, cúmplices. E as esperanças? As histórias imaginadas, as aventuras a ser realizadas pra desbravar o território desconhecido? Na prática você descobre que elas dependem mais de você do que dos rumos que sua vida vai tomando. E aí reaparece um pouco do egocentrismo que Piaget descreve nas crianças no desenvolvimento cognitivo, ou pelo menos, é o que deve acontecer: deixe de lado a noção de causalidade, porque as coisas realmente vão depender de você pra acontecer. Em todos os sentidos. Os outros? Cuidam de suas respectivas vidas, incluindo a sua pessoa em um pedaço ou outro, mas, me desculpe a sinceridade, eles não possuem, ainda, motivos pra incluí-lo em nada mais que isso. Nada que não possa mudar. Como dizia Heráclito: tudo flui. Aquele nome, que desde criança você escuta como uma característica que você deseja intensamente possuir quando crescer, e aí você cresce sem perceber e chega a hora de buscar o merecimento da atribuição, ah, sim, a responsabilidade, veja bem, é bem mais fácil alcançá-la do que eu pensava. Basta um pouco de consciência de situações globais. E nesse ponto eu não posso dizer nada além disso.
As horas costumam passar, pelo menos, três vezes mais rápido, e nesse momento eu queria ter um encontro com Einstein para parabenizá-lo por essa tal teoria da relatividade, porque ela realmente funciona. E, engraçado, você encontra tempo pra tudo! Mas, um conselho, cuidado com aquele tão falado estresse, porque ele literalmente não é uma situação inventada pelos farmacêuticos para vender mais Prozac, é fato e existe. Como tantas outras lendas ou palavras sutilmente presentes em nossas rodas de conversa, que você começa a perceber que na verdade sempre existiram e quem não era capaz de notar era você. Mas isso é tema pra outro dia...

4 de jul. de 2009

Não tenho paciência pra televisão.

Resolvi roubar essa parte da música pro meu post de hoje, porque ontem, assistindo TV, ou tentando assistir, descobri que não tenho paciência. Fico logo inquieta. Ou eu vejo filme, ou então o programa tem que ser muito bom pra me prender. Como hoje em dia não existem programas de muito alto nível, conclui-se que dificilmente eu sou presa por alguma coisa que passa na tv.
Enfim, o post não é necessariamente sobre isso. Numa sexta-feira à noite, eu fiquei em casa, e irritada porque o fiz. Fui dormir tarde, e, apesar de cansada, devia ter saído.
Em férias, é impossível não deixar, em algum momento, a cabeça desocupada. Mas eu já concluí que essa atitude não é nem inteligente nem saudável, e decidi nesse momento que me esforçarei para não fazê-lo. Tenho muito no que pensar, mas preciso não pensar em nada por um tempo. Nem que sejam uns dias.
Algumas vezes, quando certas decisões lhe cabem, é preciso que você pense nelas o tempo todo, até chegar a uma linha de pensamento, a uma decisão final. Mas, em outras ocasiões, mesmo que você decida sozinho, o andar dos fatos não depende nem vai ser coerente com o que você quer. Ou, pelo menos, não necessariamente. Essa é a arte de lidar com o imprevisível. E de se sentir impotente, de tentar se acalmar e deixar que os fatos e as situações decidam sozinhos.
Eu acho, aliás, tenho quase certeza, que 95% das pessoas, como eu, odeia essa espera. Contudo, isso não anula nem diminui a agonia e a ansiedade de não poder fazer nada. Talvez, se aceitássemos mais serenamente essa realidade, nossa vida fluísse melhor. Não literalmente, porque mesmo que a gente não queira, as coisas fluem. Contra nossa vontade. Mas, quando você nada junto com a correnteza, chega mais rápido aonde você quer chegar.
Estou considerando a possibilidade de pegar uma carona na próxima correnteza. Espero que ela seja aquecida, e forte o suficiente para não me deixar desviar. Porque, já entendi, não posso fazer mais nada.
Existem certas coisas, certas atitudes, certos resultados, que simplesmente não dependem de você. E, mesmo que você possa fazer A ou B para contornar isso, nada vai realmente resolver o problema, a menos que ele deva ser resolvido. Como eu também não gosto de migalhas, prefiro deixar que ele se vá, e que o destino final seja determinado, na hora certa, por quem quer que seja, aonde quer que seja, como tiver de ser. Eu estarei na correnteza, e na hora certa, chego lá.

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