Mostrando postagens com marcador Relatos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Relatos. Mostrar todas as postagens

23 de ago. de 2012

O que uma batida de carro e a sociedade tem em comum?



Semana passada, bati o carro. Fui a representante de um grupo grande de pessoas que passam naquele cruzamento na rua de casa, onde não tem preferência, e arriscam em cada uma das vezes colidir com outro carro, sempre imaginando que não vai acontecer. Dessa vez, não escapei.

Ainda bem, o motorista do outro carro era, literalmente, um motorista. O que permitiu que nos poucos segundos durante a batida, ele pudesse refletir, e desviar da porta dianteira do meu lado do carro, batendo um pouco mais atrás – o que me fez sair ilesa. A colisão foi forte, meu carro virou 45 graus e ainda deu tempo de colidir numa bicicleta encostada em uma das esquinas. O ciclista teve um arranhão e uma ronxa na perna, mas mesmo assim foi levado pela SAMU. 

Uma história que dos finais possíveis, teve um final feliz. Eu assumi a culpa, meu seguro vai cobrir os dois carros, e os galões de água da bicicleta – ele era entregador de água mineral.

Mas, fora o fato evidentemente cotidiano, o que eu percebi? Dessa vez como participante, aprendi que a confiança e o hábito, bem como as probabilidades de acidentes acontecerem, não podem ser usados como desculpa pra imprudência e irresponsabilidade. Coloco minha cara a tapa, assumindo um erro que cometi, pra refletir sobre a realidade dos acidentes de trânsito e o que eles podem nos ensinar a respeito da sociedade brasileira.

A primeira coisa que percebi foi que nunca sabemos o que esperar do outro, esse receio generalizado sobre a atitude alheia e como nos espelhamos nela pra reagir.

No momento em que desci do carro, esperava muitas reações do motorista e nenhuma delas veio, a não ser o receio estampado a respeito da minha atitude. Eu era a errada, a situação dependia de como eu lidaria com ela. Não assumindo o erro, um conjunto de discussões se iniciariam, tendo como palco participante toda a comunidade vizinha. Como eu assumi o erro, a postura do outro motorista se tornou relaxada e confiante - na medida do possível.  A partir de então, uma situação que tinha tudo pra ser extremamente desagradável conseguiu se tornar um convívio amigável entre estranhos metidos numa relação a qual não escolheram participar.

A segunda coisa que notei foi quão grande pode ser a curiosidade humana. 




Todos os porteiros, secretárias, e transeuntes de repente não tinham nada a fazer a não ser olhar o que estava acontecendo, e em muitos casos se meterem na situação. De repente, o acidente foi inundado com advogados frustrados, médicos de boteco e delegados sem patente. Diversos indivíduos queriam se meter na situação para resolver de alguma forma. Telefonando pra SAMU, oferecendo conforto e um copo de água, sendo agressivos, outros mais distantes zombando de toda e qualquer atitude dos envolvidos.



Dessa realidade vem a terceira coisa que aprendi, que uma comunidade recém – criada em um momento específico, contendo cerca 50 pessoas, reflete o comportamento de toda uma sociedade. Cada um dos personagens socialmente reconhecidos estava ali representado em algum dos envolvidos ou curiosos.




A quarta triste realidade foi quão decepcionante pode ser o serviço público quando precisamos dele, já que esperamos pela CTTU por duas horas antes de desistir e tentar a segunda opção: fazer um Boletim de Ocorrência na Delegacia. A SAMU chegou, 50 minutos depois, tempo suficiente para o ciclista ter tido uma parada cardíaca. Graças ao nosso bom Deus, os ferimentos foram leves.

Tem que ter paciência, melhor esperar sentado.

Dispensa legendas, né?
Do mesmo modo que uma multidão se ajuntou no instante em que o acidente ocorreu, dissipou-se 30 minutos depois. A partir do instante em que a situação se mostrou sem grandes conflitos, deixou de interessar. O barraco em potencial fica pra próxima, pensaram, cabisbaixos e retornando às suas atividades. Assim também acontece com os escândalos sociais e políticos, o interesse dura enquanto a confusão durar, e a atenção é maior onde o siri bater mais forte na lata. Depois? Que depois? Essa foi a quinta: uma sociedade que esquece rápido.


A sexta realidade, também decepcionante, percebi já na delegacia. Percebi o espanto do policial com a minha atitude, de não apenas ter assumido meu erro como também ter me disponibilizado para ir à delegacia fazer o BO. Pelo menos ela veio aqui, ele disse pro outro motorista. Fiquei pensando em quantas vezes e quantas pessoas sofrem acidentes de carro no trânsito, dos quais não são culpadas, não possuem condições de arcar com o prejuízo e tem a vida toda atrapalhada por uma irresponsabilidade que não foi sua. O espanto do policial muito evidencia a baixa porcentagem de pessoas que assumem o erro que cometem, em âmbito geral. - Uma sociedade acostumada à impunidade.




Aprendi também algumas pequenas lições, das quais merece menção o valor de um amigo do seu lado, apoiando e sendo um terreno conhecido no meio de uma situação desconhecida. E, definitivamente, aprendi que o melhor a fazer é mesmo optar pela direção – e atitude - defensiva, porque a sorte que eu tive de lidar com uma situação desagradável de forma positiva é definitivamente uma exceção.

E a sociedade insiste em reclamar dos grandes eventos, quando aqueles são muitas vezes apenas uma amplificação do que acontece diariamente, embaixo de seus próprios narizes.



15 de jun. de 2009

Café preto, puro. Com ou sem açúcar?

Decidi vim falar do café. Ou pelo menos começar falando dele. Faz um pouco mais de uma semana que eu não tomo café, quer dizer, até hoje. Hoje tomei um gole, mas não decentemente. A dor que eu sentia voltou, e eu parei. Dor física, mesmo. Daquelas com direito a remédio pra melhorar..
Mas agora estou melhor. E resolvi lembrar um pouco do que a companhia dessa bebida preta me recorda.
Principalmente, de muitas noites, sozinha, sentada, estudando, lendo livros e mais livros. Porque a maior parte da minha curta vida foi passada na escola, e como eu sempre tive pais exigentes, estudava. Até adquirir um gosto por isso.
Mas também tiveram as noites que eu passei, sozinha, lendo, só que dessa vez, romances. Cheguei à conclusão que pra mim, café é concentração. Me acalma, tira a ansiedade, me faz sentar, respirar e focar no que está na minha frente. Ou então me dá forças pra um dia longo e cansativo, que eu sei que vem pela frente..
Lembro um dia em que eu tinha passado a manhã e a tarde dançando pra uma apresentação, que era à noite. E cheguei em casa, só pra tomar um banho quente e rápido, antes de voltar pra lá. E tomei uma xícara de café, e outra. E minhas forças, pelo menos as que ainda eram possíveis de retornar ao meu corpo, vieram com tudo. Foi, senão suficiente, pelo menos necessário pra aguentar aquela noite cansativa e feliz.
Eu me convenci que sou uma pessoa sensível. Não no sentido de emoção, que eu também sou. Mas no sentido de sentidos, mesmo. Cor, sabor, som, luz, cheiros. Tudo isso me lembra dias, semanas, meses, épocas.
O café me lembra toda a minha vida. Ou pelo menos a parte em que eu estava consciente. Desde novinha, eu sentava na cozinha, conversando com as empregadas, com um pacote de biscoito maizena do meu lado, e conversava, conversava. Molhava o biscoito no café. Conversava, comia, conversava, comia. Acho que tive uma infância diferente.
Como filha única, não tive irmãos pra brigar nem pra brincar. Meus irmãos por parte de pai eram mais velhos, não viam graça no que eu fazia ou queria fazer. Então eu fui, algumas vezes, obrigada a ser adulta antes do tempo. Sentava pra ouvir as histórias, e ficava encantada com elas. Histórias da vida real, e não dos livrinhos de mentirinhas que as crianças costumam ouvir. Deles eu também gostava, claro. Qual criança não gosta de um desenho animado? Mas muitas vezes eu preferia a animação de ouvir fatos que aconteceram, contado por pessoas que tinham vivido o que contavam.
Nesse meio tempo, meus pais trabalhavam muito. Passaram a maior parte da minha infância entre uma viagem e outra, e foi assim que eu ganhei uma mãe de coração que tenho até hoje, minha babá da época. E foi assim também que eu ganhei doces lembranças, ainda que nem sempre adequadas pra uma menina de 5, 6, 7 anos, como eu era, de pessoas de carne e osso.
Na maioria das vezes, eram os empregados da minha casa. Eu tinha amigos, claro. No meu prédio, possuía um grupo de amigas, algumas das quais tenho até hoje. Mas com elas eu brincava de ser criança. Eu era criança, afinal. E aí eu sentia falta de passear pelo mundo adulto. Queria sentir mais de perto uma vida que estava perto da minha, mas que tinha muito mais emoção, mais ação. Não sabia eu que a minha também teria. Ou pelo menos eu acho que tem.
Assim, desde criança, quando eu ainda tomava café com açúcar, eu costumo sonhar.
Sonhar com aquilo que ainda não tenho, não sou, mas posso ser, ter, fazer. Adoro ser assim.
Mais do que isso, dessa época e dessa convivência, trago comigo uma das minhas maiores qualidades, ter aprendido a respeitar o outro. Não importa cor, raça, gênero nem condição social.
Porque eu tive um pai, por 18 anos, que foi o meu motorista. E ganhei uma mãe, que tenho até hoje, que era a minha babá. Continuo tendo, além deles, meus pais de sangue. Pai e mãe de sangue. Mas aprendi, com isso, que de onde menos se espera, podemos encontrar um alguém especial, diferente, que se preocupa com você, que busca a sua felicidade, que pode lhe amar, lhe querer bem, compartilhar a vida dele com você, e, não importa a idade, quando vai, deixa um pouco de si, e leva um pedaço de você.
Todas as pessoas que passaram na minha vida deixaram um pedaço delas comigo. E todas elas levaram também um pedacinho de mim. Mas, aos que me ensinaram, com tanto carinho, aos que cuidaram de mim como se eu fosse filha deles, aos que se preocuparam, olharam por mim enquanto meus pais não estavam lá, a essas pessoas eu agradeço por ter deixado comigo uma das melhores partes de mim.
Sempre pensei em um dia colocar isso pra fora, minha gratidão, amor, carinho, estima, por todas essas pessoas. Do meu pai-motorista que infelizmente hoje não tenho mais contato, à minha mãe-babá que eu amo como uma mãe ainda hoje, passando pelas empregadas que ficaram na minha casa por muitos anos, cozinharam pra mim, conversaram comigo, compartilharam comigo suas vidas, me fizeram entender e respeitar, me ensinaram a ser humilde, a todos vocês eu devo muito.
O café continua aqui, agora, sem açúcar, mas com adoçante. E através e por causa dele, eu estou aqui, sentada, alguns anos mais tarde, mais velha, mais consciente, provavelmente diferente, mas posso sentir, em uns poucos goles, o sabor de épocas que já não voltam mais..

18 de jan. de 2009

L´amitié (Fraçoise Hardy)

Beaucoup de mes amis sont venus des nuages Avec soleil et pluie comme simples bagages ILS ONT FAIT LA SAISON DES AMITIÉS SINCÈRES LA PLUS BELLE SAISON DES QUATRE DE LA TERREIls ont cette douceur des plus beaux paysages Et la fidélité des oiseaux de passage Dans leurs cœurs est gravée une infinie tendresse Mais parfois dans leurs yeux se glisse la tristesse Alors, ils viennent se chauffer chez moi Et toi aussi tu viendras Tu pourras repartir au fin fond des nuages Et de nouveau sourire à bien d'autres visages Donner autour de toi un peu de ta tendresse Lorsqu'un autre voudra te cacher sa tristesse Comme l'on ne sait pas ce que la vie nous donne Il se peut qu'à mon tour je ne sois plus personne S'il me reste un ami qui vraiment me comprenne J'oublierai à la fois mes larmes et mes peines Alors, peut-être je viendrai chez toi Chauffer mon cœur à ton bois.
L'amitié



Tempinho sem postar..
Ano novo, e alguns acontecimentos nada novos.
Pé engessado.. haha
Mas eu começo a pensar que os acontecimentos se repetem pra que a gente aprenda o que tem que aprender com eles! Então eles vão, e vem, até a hora em que estamos prontos pra superar um e enfrentar outro.

Porém, alguns sonhos novos. Talvez antigos, mas ressucitados com uma nova força.
É muita mensagem sublimiar pra um dia. Por hoje eu fico por aqui.
Quando a inspiração voltar, venho escrever. Ficar em casa por muito tempo não é a melhor maneira de se obter inspiração..

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...