26 de nov de 2008

Sem título. E a liberdade precisa de definição?

Eu sempre prezei pela liberdade. De pensamento, de ação, de sentimentos e de vontades. Porque na verdade a liberdade é um dos valores mais desejados e ao mesmo tempo menos possuídos..que alma não se anima diante da possibilidade de fazer o que lhe convir? De não precisar dar satisfações nem desculpas para ninguém além da própria consciência? Mas começo a pensar que esse valor é tão utópico quanto impossível de concretude: o homem está naturalmente inclinado para pertencer a algo. E quando se pertence a alguém, não se pode ser livre por completo. São praticamente possibilidades opostas. É um dilema comum num mundo onde, sócio-politico-economicamente falando, preza-se pela liberdade de mercados. Mas uma liberdade sempre inspecionada pelo Estado. Pode-se dizer que é mais ou menos isso que acontece nos relacionamentos.. quaisquer que sejam. A sua liberdade vai até onde você não ultrapassa o limite do que vem a ser estar livre na sua solidão. Porque nunca se é livre, se não se é sozinho.. A solidão é uma virtude ainda mais bonita do que a de se ter amigos. Porque é-se amigo de si mesmo. Só que na verdade, ser sozinho o tempo todo consome uma energia que poderia ser direcionada para outras direções. Você não precisa de ninguém, mas sofre mais, muito mais. É uma questão de prioridades. Muitos buscam incansavelmente um amor e amigos como se vissem neles a solução para todos os problemas. Com isso eu não posso concordar. O outro é um alguém com tantos e talvez até mais problemas do que você. Portanto, a ilusão de perfeição e felicidade plena não condiz com a realidade dos fatos. O extremo oposto disso seriam os solitários orgulhosos e egocêntricos ao ponto de não enxergar a necessidade em ninguém além de si mesmo. E esses violam o princípio humano, profundo e intríseco, de ajudar. Ao menos ajudar os que se amam. Nada em excesso é saudável, muito menos bonito. Altruísmo e autismo, nenhum dos dois é pra mim digno de admiração. Na verdade, com tão pouca experiência e pensamentos em quantidades inversamente proporcionais a ela, eu já me convenci de que o ideal humano de felicidade seria o equilíbrio.. Quantos poetas já não cantaram que se não há tristeza, não há felicidade? Que sem sofrimento, não há aprendizado? Que sem entrega, não se sofre; mas também não se vive intensamente? Tenho uma frase anotada no celular que carrego sempre comigo.. “A única prisão real é o medo. E a única liberdade real é a liberdade de não ter medo”. A ganhadora do prêmio Nobel da paz em 1991 escreveu isso. E o que enxergar nessas palavras, senão uma verdade quase absoluta? A minha inclinação para evitar julgamentos, prezar pela vontade própria e pelas atitudes baseadas em sentimentos reais, ou surreais, eu descobri que vêm dessa impossibilidade que o medo causa nas pessoas. E eu incluo a mim. É um receio tão forte e poderoso, uma inclinação quase que imantada para seguir na direção oposta.. Muitos dizem que isso é uma forma de se proteger. Pois bem, concordo que possa ser. Mas o que se conhece do mundo se vive-se dentro de uma fortaleza? É uma liberdade apriosionada, limitada, que, como todas as variantes dessa, tem seus prós e contras. É necessário que se pense em qual tipo de liberdade estamos investindo nossos sonhos, aspirações, defesas e medos. Tudo pode depender de um acerto nesse ponto. Cada um tem a possibilidade de recriar uma liberdade pessoal e única. Seguindo, contudo, algumas regras que eu chamaria de consideração a respeito dos outros. Imaginar uma vida livre e desimpedida é uma postura quase tão egoísta quanto egocêntrica. A necessidade de sociabilidade do homem é inegável! Pense em si numa ilha deserta e em quão louco você se tornaria depois de um tempo. Porque pra nós não há outra possibilidade senão a de compartilhar: momentos, tristezas, alegrias, vitórias, derrotas, fins e começos, recomeços, medos e sonhos. E porque insistimos em fugir dessa condição? Em afirmar e reafirmar que somos independentes o tempo todo, e assim queremos permanecer para toda a vida? Eu concordo que a solidão, como eu já falei, é uma virtude. Mas a variedade não pode ser considerada como um problema. Precisamos estar sós, acompanhados, caminhar juntos, e sozinhos. Nunca somente sozinhos, nem tampouco somente acompanhados. Qualquer exagero é medo. Medo de se enfrentar, medo de ceder. Já possuímos a liberdade de pensar. E, até certo ponto, também a de agir. O que me incomoda nesse desejo de liberdade humana é que, por mais egoísta que se seja, e um pouco de egoísmo é tão importante quanto qualquer outro sentimento, nunca se deixa de ser hipócrita. Porque ser tão incongruente? Porque prezar por uma coisa, e agir em virtude de outra? O uso que fazemos das liberdades que possuímos, ouso dizer que ele não é nada admirável. A gente tem o poder de escolher a felicidade, não aquela romântica e anti-real, mas a felicidade que se baseia em equilíbrio e congruência entre sentimentos e atitudes. E porque não fazê-lo? Um psicólogo, Heidegger, disse que o homem sempre esteve muito ocupado seguindo o fluxo, e esqueceu de pensar em si. Pois bem, eu concordo com ele, e acrescento que todo sentimento é valido, contanto que ele tenha um motivo, um porquê e uma direção. Mesmo o medo, cuja direção é ser entendido, aceito, e superado. Tudo quando parecer certo, porque nesse ponto nada melhor do que o nosso coração para entender nossas necessidades..

2 comentários:

  1. Muito bom seu texto Camilla!!!
    :)

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  2. Você Milla é uma inspiração para mim pois suas palavaras mexem comigo e com meu ser, es a poeta que consegue me deixar pensativo e reflexivo com suas palavras lendas e bonitas pois falas o que sentes com muita emoção e conhecimento é por isso que estou gostando muito de você minha flor no tempo das flores ode só seu sorriso me ilumina... Beijos Leo!!!

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