23 de nov. de 2010

"Amigos eu ganhei, saudades eu senti, partindo.."

Já são 7:34 quando eu começo a escrever este texto. E eu acordei, depois de 4 horas de sono, achando que estava atrasada pra aula. Ainda não, naquele momento, mas então aconteceu algo que vai me fazer chegar um pouco depois da hora. Mas um daqueles momentos de surpresa, especiais, que valem a pena o atraso, pra sentar, escrever e pensar.
Pois então. Hoje, dia 23 de novembro de 2010, faz um ano e alguns dias que eu embarquei pra uma viagem inesquecível. Fui trabalhar na Disney com mil expectativas, mas nenhuma delas consegue traduzir o presente que eu ganhei. É bem maior do que eu imaginava..
Eu viajei esperando mil coisas, intraduzíveis, coisas que só quem vai e passa um ano inteiro esperando por isso podem dizer. E, no meu caso, esperei mais do que um ano. Mas na vida real as expectativas, quando criadas, costumam ser frustradas.
Pois, hoje de manhã eu consegui ter uma visão clara do que significou o meu ICP pra mim.. eu entrei em uma fase de construção, transformação, amadurecimento, é como se eu tivesse estado dentro de uma sala, obrigada a rever meus defeitos mais insuportáveis, e todos os mais admiráveis, também (que normalmente nem eu sabia que existia). Só que com um detalhe: EU NÃO ESTAVA SOZINHA.
Entraram nessa sala, junto comigo, os maiores presentes que eu jamais poderia ter imaginado ganhar: os amigos! Ah, os amigos. Hoje, mais do que nunca, tive uma revelação que misturava saudades do que passou com previsões do futuro, junto com medo, angústia, alegria, tristeza. Sim, porque eu dei por mim, e percebi que ganhei amigos pra vida inteira. Mas isso eu já sabia. O que eu não sabia e não tinha percebido era que, em 2 meses e meio de viagem, eu fiz parte de uma coisa maior, junto com vocês. O ICP pra mim significou uma lição de vida, que me ensinou que você pode encontrar seus amigos mesmo nos lugares onde você não esperava. E que eles podem ser pessoas muito diferentes de você. Tímidos, inteligentes, extremamente estudiosos, esforçados, chatos, egoístas, tenderem a mandar, folgados, brincalhões (até o ponto de lhe irritar, e muito), falantes, calados, amantes de teatro, amantes dos estudos de fisiologia, admiradores dos estudos psicológicos, futuros executivos, futuros internacionalistas, futuros grandes criadores, futuros grandes médicos, futuros grandes advogados! Meu Deus, eu ganhei tantos presentes, de tão diversas cores, e como foi especial! Acho que estou com minha aposentadoria garantida, bem como meus direitos, e em caso de necessidade nutricional, ou aconselhamento, ou uma mente criativa.. hahahaha
Hoje eu entendi. Me veio uma enxurrada de pensamentos, e eu entendi TUDO. Vocês foram anjos, que eu vou ter pra sempre na minha vida, não importa distância, tempo, nada. Vocês são irmãos. Por mais tempo que passe, quando eu vejo vocês parece que nós nos despedimos ontem. A intimidade, o carinho, o AMOR. Na forma mais profunda, e tendo passado por situações tão extremas, mas tão extremas, que só quem já viveu um longo período de convivência + pessoas de personaligade forte pode imaginar. E o amor passou 2 meses sendo plantado. O carinho, a saudade, a consideração. Foi nisso que se resumiu a minha viagem. Cultivar vocês delicadamente, tão delicadamente que foi necessário atenção quase exclusiva, e eu me voltei pra vocês, talvez mais do que vocês imaginem. Eu me entreguei de coração à essa amizade, vivi com vocês e na maior parte do tempo para vocês. Antes, ontem, talvez, eu me recriminei por tanta entrega. Mas hoje eu realizei que foi nada mais do que justo. Era o meu momento, o meu jeito de viver essa amizade, e eu sei que os frutos que eu colherei dela vão durar muito tempo, ainda. Quem sabe, velhinhos, nós ainda sentemos na beira da piscina, aonde quer que seja, pra lembrar as brigas, os momentos sem fazer nada que eram preciosíssimos, as reuniões em casa, as confidências, aquela sensação lá no fundo que diz que você está em casa..
Porque eu estou em casa com vocês (e com algumas eu estive literalmente, né roomies? hehe). Vocês são agora um pedaço da minha casa, que eu levo comigo aonde eu for! Uma bagagem que não pesa, não ocupa espaço, ninguém vê. SÓ EU. Eu sinto, sinto, sinto. Lá dentro! E meu cérebro me ajuda, guarda as imagens, as cores, as sensações, as músicas. E o meu coração diz: são amigos de verdade.
Pode parecer drama, a alguém que lê e não viveu. Me desculpe, mas eu não me importo. Espero que você possa, leitor, ter pelo menos uma vez na vida uma experiência que lhe dê como resultado amigos tão ímpares e verdadeiros.
E porque eu escrevi isso, hoje? Porque eu acordei, e ainda com o olho inchado fui na cozinha. Embaixo da porta, uma carta. O remetente? Angelus Maia. O que tinha dentro? Duas fotos da gente, nesse momento lindo que a gente viveu. E um desejo de boa viagem, que eu sei que não poderia ser mais sincero.
Boa viagem? É, daqui a 4 dias eu embarco de novo nessa aventura. Vou de novo pro mesmo lugar, mas sei que não estarei acompanhada dos amigos de outrora. E, sinceramente, por tudo que eu já vivi naquele lugar, que é lindo, lindo, mágico (de vez em quando), e tão aconchegante, eu só espero uma coisa: que eu possa encontrar pelo menos um amigo, digno de sentar em uma cadeira ao lado dos que eu fiz no ano passado.
Nunca serão iguais, porque depois de ter vivido tudo que eu vivi, eu já não sou a mesma, mas que consigam ser especiais, nesse meu momento de hoje, como vocês foram um dia. Sim, como vocês foram os amigos certos na hora certa, e continuam sendo os amigos certos. Porque quando a amizade é sincera e de coração, toda hora é hora.
E sabe o que é mais especial? Mais engraçado? As amizades continuam sendo feitas, construídas, lapidadas. Os amigos que eu não imaginava, alguns que eu esperava, tantos amigos, eu continuei tendo e criando laços mesmo quando voltei.
Obrigada a todos vocês, em todos os níveis, pela marca que deixaram, e que continuam deixando. Eu viajo com lembranças boas, e elas vão permanecer guardadas, passe o tempo, as horas, os dias, meses, até o fim de tudo.


AMO VOCÊS, AMIGOS ICPS 2009/2010 e MORRO DE SAUDADES.

Camilla Borges (L)

7 de nov. de 2010

Longe

"Sinceramente, é mais difícil do que eu pensava. Pensar nos meus dias sem você, e sem a possibilidade de você. Agora eu vejo como saber que você tava lá me fazia bem, e me confortava. Do nosso jeito, doido e sem sentido, sua presença ausente me acariciava. Era doce, derretia nos lábios.. Sua ausência é amarga. Imaginar que a ausência é um sinal de que nada mais existe. E poderia ter existido.. a minha tristeza é maior pelo que seria, pelo que viria. E pela incerteza. Incerteza. E a dúvida não é se você sente, porque eu sei que sente. A dúvida é se algum dia sentiremos a mesma coisa, ao mesmo tempo, e juntos. Será? Eu não tenho como saber. Nem você. Pode ser que amanhã tudo seja nada. Mas esse amanhã ainda se delineia no horizonte, me parece infinito, não vou alcançar.. E enquanto isso, o que fazer? Incerto, o meu sentimento? Não. Incerto, sim, o que fazer com ele! Me diga, o que eu faço? Se fosse simples, se fosse fácil, eu abria o porão, e jogava lá dentro. Trancava a porta, tirava a fechadura e não abria nunca mais. Mas mesmo que eu fizesse isso.. ainda ia estar lá. Será que tem um jeito de apagar? Não tem. O sobrenatural não se encaixa. Nada se encaixa entre eu e você. Só a gente sabe como fazer isso. Mas incrivelmente, muitas coisas se metem no caminho. E você agora voa longe.. eu não sou mais um jardim que você vá pousar. Como a saudade é salgada, como a tristeza é.. seca. Olho pro céu e não te vejo.. Fico projetando um futuro que não vai ser. Uma alternativa que não cabe. E o que me cabe?"

Beatrice Cartiller.

26 de out. de 2010

O grito

"A dor é tão forte que nem o grito resolve. Ou resolve? A minha vontade é correr, pisar no acelerador e correr. A tantos quilômetros quanto o meu pé conseguisse pisar, e o carro conseguisse alcançar. E nesse tempo, chorar. Por dentro, e que a dor de dentro fosse pra fora. E fosse embora, junto da velocidade, os pneus deixando os rastros do meu sentimento. E que quando eu freasse, não existisse nada, além de anestesia. Ausência de tudo.
Você me libertou, mesmo não querendo que eu fosse embora. Mas sabendo que não tinha outra saída.. e eu tenho que ir, porque a porta ta fechada pra voltar..
Como eu faço pra controlar? Tudo o que tava apertado, e explodiu de uma vez? Como eu faço pra controlar? A minha vontade de gritar?
Quero correr pro mar.. e gritar. Deitar na areia. Sem pensar. Colocar pra fora..
A tristeza não cabe em mim. Não imaginei que fosse tanto.
Escuto as músicas e lembro. Leoni é minha voz: "A gente é maior do que qualquer razão". Era o que eu queria que acontecesse. Que a gente pudesse passar por cima dela. Como um bicho de pelúcia incômodo. A maldita razão.
Queria pular numa piscina bem gelada, e sentir tudo congelar. Meus sentidos, minhas reações, os sons, sabores. Queria que as imagens parassem de passar na cabeça.. Que o frio parasse tudo. Só sentir meu coração batendo. Pra me lembrar que eu estou viva, e que ele não vai parar de bater. Não vai me abandonar.. A única ausência que eu não quero agora, é a de batimentos.
Me incomoda, mas prefiro sentir a não ter a chance de saber a sensação. Achei que pudesse viver sem saber.. mas saber é poder. Agora eu posso.. entender. Agora eu posso.. tentar entender.
Mas sempre, enquanto eu sorrir e meu coração bater, eu posso sempre, aprender.
E o grito que eu calei, o grito que me fez pisar no acelerador, o grito que me fez chorar e não conseguir enxergar. Chorei e parei de ver. Vi uma cortina de água nos meus olhos.. Como é bom poder viver. Sentir vida. Mesmo querendo que ela parasse, que tudo parasse, eu sinto as batidas e vejo que nada vai parar..
Eu vou gritar. Hoje, amanhã, depois de amanhã. E depois, vou parar de gritar.
As lembranças vão descongelar. E os sentidos.. também. Então, não grito mais, mas sentir, vou sentir, sempre.
E depois, por algum outro motivo, vou gritar. De susto, medo, ansiedade, saudade. De você, de outro alguém, de você, de outro alguém. Quem vai saber? Como eu vou saber? Não vou esquecer.. e vou sempre gritar. Até quando, por você?
Ouça, você vai saber."

Beatrice Cartiller

Leoni- Quem, além de você?

16 de out. de 2010

Sobre o controle e o silêncio

As pessoas que costumam ler o que eu escrevo, acham que eu sempre sei do que estou falando. Decepcionantemente, digo que não. As palavras têm um poder que vai além do meu. Saem através das minhas mãos e trilham caminhos que eu desconheço. Falam por si mesmas, a quem quiser ouvi-las. E sempre falam alguma coisa diferente, a depender de quem escuta..
Acho que é isso que torna a leitura, e a escrita, tão especiais. Primeiro, porque quem escreve nem sempre escolhe sobre o que falar, e como falar. Segundo, porque quem lê nem sempre escolhe o que gosta de ler e o que sente quando o faz.
Eu gosto de leituras que me transportem. Me desafiaem. Me façam sentir. E eu sinto coisas.. sensações, sem nome. Um vento frio na espinha. Uma ideia fixa de conhecer os personagens. De estar entre eles. Uma identificação. Um sonho compartilhado. Um sentimento calado que grita através do livro. Uma admiração.
Hoje a minha sensação vem de uma frase. "Há uma grande diferença entre estar quieto e não fazer nada." A nossa vida e nossa sociedade estão tão acostumados a fazer muita coisa sempre, que a atitude de não fazer nada é vista como preguiçosa, ociosa. De certa forma, eu sempre me senti deslocada desse comportamento. E sei que vou continuar me sentindo assim. Porque a quietude, pra mim, fala. Fala mais do que uma lista completa de músicas do meu cantor preferido. Eu não tenho cantor preferido. Eu tenho sensações preferidas, momentos preferidos, e tenho músicas que intensificam esse ou aquele sentimento, que trazem alguma lembrança. Que me transportam, me incomodam, me machucam, me acalmam. Mas o meu silêncio e a minha quietude, são meus. Nem música, nem pessoas, nem sons, nem qualquer fator externo. Vem de mim e canta nos meus ouvidos, só eu consigo escutar.
Nem todo ócio é improdutivo. Sabe aquelas pessoas que ficam agoniadas quando não estão fazendo alguma coisa? Você não é sempre assim, às vezes você fica assim por algum motivo. Eu já estive assim. Mas preste atenção. Sempre tem alguma coisa que nos incomoda tanto, que é melhor fazer algo para que esse incômodo não venha ainda maior. Porque no silêncio, qualquer barulho amplifica-se. Do alentador ao inquietante. Todos são potencialmente ensurdecedores..
E controlar-se, a si e as reações que se tem, é desafiador. Eu acredito que um dos maiores medos do homem é exatamente assumir que não tem o controle. E por isso busca-se o tempo todo situações em que esse controle esteja sob sua tutela, sob a tutela humana. Mas as mais valiosas virtudes só podem ser alcançadas enfrentando-se o medo, e perdendo-se o controle. Pro bem ou pro mal, a perca do controle traz uma fase e um nível de introspecção que não existiriam de outra forma. A natureza é incontrolável. O amor é incontrolável. A dor é incontrolável. Tudo que realmente é grande, forte, independente da sua beleza, é incontrolável. A contestação do belo é tão relativa que não deve ser discutida. Apenas respeitada. Mas o controle, a atenção que se dá, ou melhor, a desatenção, disso eu posso falar.
Porque o meu silêncio é um exercício constante de controle. Controle do que eu sinto, do que eu falo, mesmo calada, e do que meu corpo quer falar. Todo nosso corpo e nossas sensações precisam ser controladas. Toda ausência de atitude pode ter um significado. E o nada é apenas um deles. Em alguns momentos, o nada é bem-vindo. Porque ele traz a sensação de estar numa praia deserta, sem vento. Com um mar sem ondas. Sozinho. Sem interferências. E esse universo paralelo é onde eu posso me ver.. pelo reflexo do mar. Onde podemos nos ver..
Mas na maior parte do tempo, os outros significados.. são.. seus, meus. Não preciso lhe dizer o que significam pra mim. Nem preciso saber o que significam pra você. É suficiente que saibamos que, todos, temos. Segredos, silêncios, medos, guardados. A liberdade de fazê-lo. A chance de conhecê-los..

31 de jul. de 2010

Uma visita surpresa

"Hoje não tenho mais saudade. Dele, nem de você, nem daquele outro.
Arrumei a casa, reformei, pintei. Não me fazem falta as paredes velhas. Nem os velhos retratos.
São apenas boas lembranças de um tempo que foi e não volta.
Sinto, sim, carinho, saudade, sorrio, choro. Mas não escolheria mais voltar. Não existe mais nada no meu passado que eu queira voltar pra corrigir.
Achei uma alternativa mais fácil, e também mais divertida! Posso corrigir hoje, amanhã, depois de amanhã, até quando houverem amanhãs. O futuro é meu.
Não sei se terei tempo de fazer tudo o que deixei de fazer, ou de corrigir os erros e fazer diferente. Mas, quem se importa? Que seja feito o que tem que ser feito.
Errei, aprendi. Não erro duas vezes. Mas, ainda sou tão aprendiz.. Serei eternamente.
A cada página em que eu escrevo: vim, vi, venci; tem outra em branco, logo em seguida.
E a melhor parte é saber que as que eu escrevi, sabe onde estão? Sempre comigo! Coladas nas velhas paredes que eu arranquei.
Mas como, se eu joguei tudo fora? Joguei fora porque nem sempre matéria e essência precisam estar juntas. Pode ser que alguns tenham ficado por jogar, mas não tem problema..
O caminhão de lixo sempre vem amanhã. É um bem público, imbutido na taxa que a gente paga todo mês pro governo.
A minha vontade é sorrir! A casa nova é cheirosa. Gosto dela. Decorei com cuidado. Ainda faltam alguns móveis. E sempre vai ter espaço pra souvenirs, e presentes que eu trouxer de algum lugar que eu tenha ido.. Vou pra onde a vida quiser que eu vá. E caso eu queira ir.
Em alguns casos, vou sozinha, dormindo, sonhando. Em outros, pisarei na areia e sentirei os pés queimando. Olharei pro céu e sorrirei da chuva. Sentirei uma paz enorme só por sentir, como agora. Fecharei os olhos pra lembrar daquele momento pra sempre, pelo cheiro, pelo som.
Mas sempre com o coração..
E o medo? Sempre vem. Mas ele só entra quando eu abro a porta. Que ele se disfarce de convidado, se quiser! Pode tentar! Pode ousar! Por mais que demore, vou descobrir suas intenções..
E não há nada, nada, nada mais forte do que um bem estar e um sorriso que venham de dentro. Encontre isso você também, e seja a pessoa mais forte do mundo. Depois venha me visitar.
Beijos carinhosos."

Beatrice Cartiller

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