6 de fev. de 2013

FELIZ 2013!!!


Meus caros!

Ainda não publiquei nada este ano, portanto, começo desejando FELIZ ANO NOVO!  
Ano da Serpente, e sob a regência de Saturno, muita coisa por acontecer. O verão foi maravilhoso, mas já estou começando a arregaçar as mangas para um ano que promete ser de muito trabalho e dedicação. 

Vim contar novidades..
Eu mencionei ano passado um projeto de livro, que de fato existe, mas não vai sair do computador por um tempo.

Por outro lado, outro livro, o meu primeiro a ser publicado, sim, sai este ano!!! (se Deus quiser e a faculdade amenizar).
E por essa razão, talvez eu apareça menos do que de costume (eu sei que já não era muito, mas agora por uma boa causa hahaha). 

Contudo, tenho algumas ideias para movimentar o blog neste tempo. A primeira delas deve ser lançada em breve, prometo. Enquanto isso, fiquem sabendo que não esqueci de vocês.

Beijos e bom restinho de verão/carnaval.
Cami. 



13 de nov. de 2012

Eu aprendi que..


Que fique claro, não me considero velha. De forma nenhuma. Amo estar vivendo os 20 e poucos anos, apesar de todos ônus dessa fase. Todas tem, no final das contas. Enfim.
Mas, desde os meus 12 anos mais ou menos, aprendi e mudei um bocado. Por isso, eu uso o termo quando eu era mais nova. E com ele, começo mais uma reflexão.

Porque, quando eu era mais nova, eu acreditava que eu precisava ser gentil, educada, atenciosa, amiga e companheira com todo mundo. E que todo mundo precisava gostar de mim. Digo, todo mundo mesmo. Por nenhum segundo sequer eu levava em consideração expressar meus reais sentimentos, porque se fossem condenáveis, não deveriam existir. Então, engoli sapos, enterrei mágoas, e muitos discursos morreram no espelho. Porque, acima de tudo, eu acreditava que as pessoas precisavam me aprovar, porque isso significava que eu era alguém admirada, querida, amada, respeitada. Um conto de fadas.

Enquanto acreditei nisso, consegui ser feliz, mas em intensidade muito menor. Digo, tristezas existem sempre, mas naquela época, eu nem as colocava pra fora. Não podia parecer fraca. Não, tinha que ser forte. De certa forma, aprendi muito. Amadureci muito.

Mas, minha vida começou a me pertencer de verdade quando eu deixei essa ilusão pra trás.



Com o tempo, eu entendi que, por mais gentil que você seja, sempre vai ter alguém pra te achar estúpido e mal educado.
E, por mais justo que você tente ser nas suas decisões e na sua vida, alguém vai te julgar egoísta, injusto e irresponsável.
Por mais responsabilidades que você assuma, nunca vai se sentir admirado o suficiente.
Que, se pra um alguém você é especial e único, pra outro alguém, você não significa nada exceto uma história na linha da vida.
Que por mais amiga que você possa ser, você não vai conseguir ser amiga de todo mundo. 
E aqueles que não te conhecem, vão te pintar de falsa e invejosa.
A sua vida, e suas decisões, nem sempre vão ser compreendidas. 
Suas escolhas, constantemente contestadas.
Seus sonhos poderão vir a ser tratados como um documento seguindo um protocolo. E você pode correr o risco de perdê-los, se não lutar por eles.


Nascemos e vivemos em sociedade. Precisamos do convívio social. Mas isso não significa que ele seja sempre como deveria ser. Inclusive, não significa que você deva ser como os outros gostariam que você fosse.

A sua argumentação mais extensa não é capaz de expressar ou conter sua identidade, a ponto de que outro entenda apenas ao ler/ouvir. Anos de terapia, e nem mesmo seu terapeuta vai te entender, como você mesmo é capaz de se compreender.


Contudo, enquanto você depositar nos outros a capacidade de julgar e decidir seus caminhos, aquele grito dentro do peito, de uma conquista muito almejada, não vai acontecer. Porque, sem a liberdade para decidir quem e o que você considera algo a ser alcançado, nem a vontade vai existir, em primeiro lugar.


E os outros? Bem, eles sempre vão estar lá. 


Mas, quando entendi a finalidade do conceito memória seletiva, percebi que, o que não acrescenta, não tem espaço na minha vida.


26 de out. de 2012

Se não tem luz, não tem história?


Desde pequena, eu não podia dormir de cabelo molhado. Era certo que ia acordar com a garganta ruim. Virou hábito nunca dormir sem tirar toda água dele.

Ontem teria sido uma noite comum, se não tivesse faltado luz quando eu tava embaixo do chuveiro. A minha reação foi pensar em como essa nova realidade ia me afetar, e agradeci a mim mesma pela prudência de ter velas guardadas na gaveta. Aí, lembrei do cabelo. Não tinha solução, eu ia ter que esperar que ele secasse naturalmente (o que, no meu caso, demora cerca de duas horas).

Eu teria ficado tranquila, se eu fosse passar essas duas horas fora de casa, numa tarde de sábado qualquer, conversando com alguém, sem hora pra acordar (cedo) no outro dia. Principalmente, se fosse num momento em que o sol ainda estivesse presente. 
Mas, não me agradei quando percebi que iria passar essas duas horas sozinha, no escuro (no meu prédio, não tem gerador. Meu celular descarrega rápido, e eu precisaria dele pra me acordar de manhã. Meu computador tem a bateria viciada. E eu não tenho Ipad).


Eis que eu parei e pensei: e agora?

E então, meus caros, foi quando eu refleti seriamente, e pela primeira vez na minha humilde existência, sobre como nos tornamos dependentes da luz. Leia-se, da energia: desde que o ciclo do dia passou a ter 24 horas, e não apenas as 12 horas de luz solar de outrora. Subitamente, as crises do Petróleo e a invasão do Iraque tornaram-se compreensíveis pra mim em outro nível. Eu acho que até comecei a tirar meu chapéu pro pensamento estratégico de longo prazo dos norte-americanos. Como a nossa sociedade reagiria a um retrocesso evolutivo como esse? Um parêntese: aqui me refiro àqueles que tem acesso à energia, porque existe ainda grande parcela de seres humanos que desconhecem o significado de uma tomada.

Aqui, o tempo parou.
Voltar aos tempos de velas, papel e caneta, banho frio, calor sem ar condicionado e frio sem aquecedor (final do século XIX e início do século XX)? Quantos livros deixariam de ter sido escritos sem um computador, quantas amizades não teriam sido feitas, quantos problemas permaneceriam sem solução? 

Quão dependentes nos tornamos, afinal?

Eu não posso responder por todos, mas tenho certeza de que não fui a única a me sentir meio perdida. Cheguei até a sentir uma momentânea perda de identidade. O que, de fato, parece exagero. Mas, se para mim a duração desse momentum foi curta, para outros pode ter se prolongado. O que me fez “voltar a mim” foi a vontade de falar sobre isso. E, com a minha vela grudada no pires (este, de cabeça pra baixo), peguei meu caderninho e comecei a escrever. Não estava escrevendo nenhum Rosa do Povo, mas me senti próxima de uma artista literata, como o computador nunca tinha me feito sentir.

A vela, e meu caderninho.

Refleti sobre as outras pessoas, em suas casas, e me perguntei quantas delas tinham velas.
(Claro, muitos tem gerador. Mas mesmo o gerador não consegue suprir todas as necessidades, de todo mundo.)

Tinha uma noção da grandiosidade da queda de energia, porque uma amiga que morava em outro bairro havia me mandado uma mensagem: faltou luz? Mas só entendi realmente a dimensão do apagão quando acordei, e vi no celular a resposta de outro amigo, de outra cidade vizinha: faltou luz aqui também. Liguei a TV pra ouvir a notícia que o evento ocorrera em grande extensão do Nordeste, e em outras regiões, pontualmente. Se eu pudesse, passaria a manhã de hoje perguntando às pessoas como se sentiram, como reagiram, o que acabaram por fazer. Uma curiosidade imensa me tomou (e ainda toma).

Drummond quando moço.



Quanto à mim, a verdade é que me percebi gostando de ser meio século passado. A sensação de desligamento com o mundo (ainda que parcial, por causa do telefone), o silêncio redobrado apesar da hora..







Era uma vez um tempo onde..
Ainda assim, não posso deixar de pensar e me preocupar quanto aos outros. Porque, se ainda estamos em contato direto com uma geração que viveu sem essas tecnologias que temos hoje, e que reiteradamente demonstra que o que há de mais valor não se resume a um fluxo de partículas eletrizadas– nossos avós - em breve, seremos nós os que terão netos. E definitivamente não somos uma geração que possui, a priori, essa tranquilidade no viver e essa autonomia no agir.


E então, quantos terão herdado, serão capazes e estarão dispostos a repassar aquela simplicidade de viver que vemos em nossos idosos?  Porque, na ausência de luz, foi a minha humanidade que me resgatou. E meus livros de cabeceira. Contudo, como não me cabe o poder de mudar aos outros, tomei uma decisão firme: o primeiro grande investimento da minha vida será num painel de luz solar. E meus filhos definitivamente vão passar a semana sem internet.

Deixou de ser "frescura sustentável" pra virar uma necessidade urgente.



22 de out. de 2012

One way


A noite não tinha sido fácil. Uma mistura de ansiedade, medo, angústia. Agora que chegava a hora, fraquejava. Pensou cuidadosamente nos motivos da sua decisão, repassando cada um deles, já sem nenhuma pausa. Foram tantas as vezes em que havia repetido para si, que as palavras se tornaram quase um mantra dentro da sua consciência. Não há mais nada a ser feito, já fiz tudo o que eu podia fazer, outras oportunidades me esperam em outro lugar..

Chegou a sonhar no meio da noite, imaginando-se na porta do avião, quando uma mão sem dono puxava seus cabelos e lhe pedia para ficar. Sem dono, porque ela já não existia mais. Doía-lhe lembrar e reviver os tempos em que as suas mãos as seguraram, e que chegou a pensar que tivesse encontrado a felicidade permanente. Hoje sabia que esse tipo de pensamento não se encaixa em nenhum tipo de realidade, mesmo que a sensação seja boa, muito boa.

Abriu os olhos um minuto antes de o despertador tocar, porque na verdade o sono lhe escapara há alguns dias. Levantou cautelosamente, evitando pensar, e cantando mentalmente aquela canção que tanto gostava: Não responda nunca, meu amor, pra qualquer um na rua, beija flor..
A mala já estava pronta e a roupa por usar, encima do banco, ao lado da cama. Levantou num pulo e tomou um banho quente, desejando que a água levasse junto todos os titubeios, todos os E se que insistiam em invadir seus pensamentos, e que a coragem não lhe faltasse. Sem pensar, pegou o primeiro táxi que apareceu na rua, e disse apenas: Aeroporto.



Dessa vez, não havia de quem se despedir. Aos familiares, deixara uma carta dizendo onde estaria, que logo enviaria seu contato, que esperava uma visita – nada que eles não soubessem. Aos amigos, o silêncio. Os verdadeiros entenderiam, pensou.







Desceu no aeroporto, e se percebeu andando vagarosamente em direção à fila da companhia aérea. Uma tentativa inconsciente de retardar uma partida que, no fundo, sabia que já vinha tarde. Não havia motivos pra ficar, por mais que tentasse construir realidades paralelas, outras opções não se lhe apresentavam, pelo simples motivo de não serem possíveis. Desistira há tempo de lutar contra o inevitável, mas agora que chegara o momento, percebia-se tão ou mais esperançosa do que antes, uma esperança morta, de um porvir que ficou pelo caminho. Chegou a questionar a própria sanidade, pela capacidade de continuar insistindo em caminhos sem saída.
Engoliu em seco quando a mulher do balcão desejou boa viagem. A primeira viagem que fazia e que não tinha outra escolha, senão partir. Questionou-se: como pudera por tanto tempo adorar aeroportos? Naquele momento sentia uma repulsa enorme, e uma opressão no peito. Olhou em volta em busca de um motivo pra ficar, mas sabia que não havia nenhum.

Sentou no avião, desejando que os olhos se fechassem e pudesse esquecer. Finalmente, seu desejo foi atendido. Recostou-se na cadeira e, apesar de todos os sentimentos que lhe dominavam, foi tomada por um cansaço incontrolável, e por uma certeza de que as coisas não poderiam piorar. Logo, melhorariam.  Remexeu-se na cadeira quando o avião decolou, para logo voltar a um lugar onde não sentia, ouvia, via, nem pensava em nada.



23 de set. de 2012

????


De certa forma, eu prefiro me manter isenta de expressar opinião sobre certos assuntos, o que não significa que eu não pense sobre eles. Faço isso porque, se a discussão de um tema pode em muitas vezes ser produtiva e recriar ideias e pontos de vista, em tantas outras representa uma falácia entre surdos caricatos. A ausência de língua dos sinais e presença da fala só evidencia quão absurda é essa afirmação.  De fato, em grande parte do tempo as pessoas não estão dispostas/preparadas para desistir de sua opinião ou ceder ao outro. Essa capacidade, de humildade relativista, é para poucos. Dessa forma, não digo que a possuo, mas decerto, almejo-a.  E coloco em prática, sempre que identifico que teimosia/medo/orgulho são os motivos que me fazem resistir a um argumento. Por isso, não são poucas as vezes que guardo pra mim mesma opiniões fundadas, outras conspiratórias, enfim.

O silêncio pode ser uma escolha.

A minha expressão de opinião, apesar de toda liberdade constitucional de exercê-la, ainda é limitada. Infeliz constatação, que faço por reconhecer que, como eu, muitos outros gostariam de viver numa sociedade em que os filtros não paralisassem, os medos não bloqueassem, e não houvesse tantos portões entre as ideias de duas pessoas.






Estamos rodeados de superegos, e essa constatação chega, quando em vez, a me enfadar.











Não sou dona de nenhuma verdade, mas gosto de usar argumentos como manobra de discussão pacífica, de refletir como observadora não participante. E me entristeço, muitas horas, porque olho ao redor e grito. E percebo que pouco reverbera. Que, se existem muitos acomodados, existem também tantos outros, que ao contrário, estão entediados.



Entediados por se verem diante de uma homogeneidade previsível, uma criticidade superficial e opiniões paralelas não por escolha, mas por conveniência. Um professor uma vez me disse que eu tinha as respostas certas, mas não estava elaborando as perguntas corretamente. Um tiro no escuro, em suma. Ele não foi o único, e demorei a entender que não estou sozinha nessa teimosa redundante.




Somente quando comecei a perguntar que comecei a entender. O problema das perguntas é que, diferente das respostas, são o norte do raciocínio. Existem várias respostas certas, mas a pergunta errada pode nos conduzir a um precipício cuja volta é uma rua sem saída. Porque elas te levam mais longe, mas ao mesmo tempo esse caminho não pode ser facilmente recuperado.


Isso significa que, a partir do momento em que você começa a fazer perguntas, recai sobre você o peso da responsabilidade pelo erro.

 E, com essa disseminação de supergos dotados de uma ideia distorcida de humanidade, o erro chega a ser uma praga. De repente, estamos diante de um coletivo estrondoso de especialistas em probabilidades que buscam o caminho mais seguro e certo, e arriscam-se cada vez menos no terreno da incerteza. Tendo/sendo ou não um componente idade versus experiência nessa equação, continuo defendendo a posição de que a comodidade não é justificativa, apesar de ser extremamente tentadora. Em um ambiente complexo e em constante transformação como o que estamos vivendo, eu chego a agradecer à minha memória seletiva que tenha esquecido as fórmulas de análise combinatória. Tem certas respostas que devem permanecer na escola.   

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