20 de fev de 2010

Sábado à noite

Daqui a 2 meses completo 21 anos. E desde que adquiri consciência das coisas, há mais ou menos uns 10 anos, muita coisa mudou. Tanto no meu cenário como no meu roteiro. Mas depois de estar aqui, sentada em frente ao computador, escutando Elton John, em uma noite de sábado em que pessoas no mundo inteiro estão hanging out e se divertindo, eu percebi que algumas coisas simplesmente nunca vão mudar. Existem pessoas que sentem necessidade de completar o vazio de suas vidas indo para uma festa, e existem outras, como eu, que preferem fazer isso escrevendo. As festas pra mim são o lugar de preencher minha vida, com boas memórias e acontecimentos divertidos. Não me lembro de uma vez que eu tenha ido pra uma festa querendo esquecer algo ou alguém e que eu tenha sido 100% bem sucedida. As melhores festas, as mais divertidas a que eu fui, foram sempre ou inesperadas ou muito esperadas, porém nunca com a ilusão de consertar problemas ou sentimentos. Nas vezes em que isso aconteceu, voltei pra casa ainda mais frustrada e indignada. Há coisas que não adianta tentar mudar. Cada um é do jeito que é.. hoje eu senti vontade de ficar em casa e não fazer nada. A televisão não me apetece, me abuso fácil de qualquer coisa que eu faça por mais de alguns minutos. A única coisa que tem o poder de me acalmar é pensar, conversar e escrever. Eu costumo dizer que quando escrevo não sei o que vem pela frente.. as pessoas fingem acreditar. Não sei até onde acreditam. Mas não tem forma mais elucidativa de dizer o que me acontece quando sinto vontade de escrever.. é uma vontade de botar um sentimento amorfo e turvo pra fora, na forma de palavras, com a esperança que assim eu possa entender, e quem sabe outra pessoa também.
Aonde eu quero chegar? Um certo alguém com quem conversei há pouco tempo me disse: "E você explica tudo?" Eu percebi que eu tenho a mania de querer que me expliquem tudo, mas nem sempre faço o mesmo. Aliás, vou mais além e digo que as pessoas não gostam de explicações. Algumas vezes eu até as tenho, mas guardo pra mim porque sei que a conversa ficaria enfadonha e cansativa..
Estou querendo manter uma linha de raciocínio, mas cada coisa que digo me faz imaginar várias outras, e isso torna a tarefa complicada. Mas vou tentar voltar às festas. Cada um tem um certo grau de admiração e dependência de festas. Na verdade, elas são uma via de mão dupla: você ganha com elas e elas ganham com você. O que significa que, para que essa troca aconteça, ambos precisam estar dispostos. Por isso que existem vários tipos de festas e vários tipos de pessoas. Precisa haver uma sintonia entre a vibe da festa e a vibe de quem vai nela. Mas nem isso é suficiente.. Elas são meio.. hipnotizadoras, encantadoras, sedutoras, e trapaceadoras. Costumam querer chamar a atenção, e atrair a presença de muitos que não sabem pra onde ir. Alguns até viciam-se. Tornam-se dependentes tão ou até mais sérios do que aqueles viciados em drogas e em bebidas alcoólicas, dentre outros vícios. Porque nelas você entra num estado de fuga e de, como é mesmo aquela palavra que Clarice Linspector falava? Preciso procurar. LEMBREI! EPIFANIA! Existem várias formas de epifania. Alguns atingem-na bebendo, outros conversando, outros se drogando, outros indo pra festas. Acho que eu sou meio cult, porque a minha epifania é meio como a de Clarice. Escrevendo e pensando. Que mal tem nisso? É uma diferença que eu aprecio e até certo ponto cultivo. Um diferencial? Talvez.
Por esse motivo, as festas tem um significado diferente pra mim.. Em alguns momentos, poucos momentos, conseguem me propiciar momentos de epifania, por assim dizer. Mas não é sempre, o que me torna menos dependente delas do que outras pessoas o são. Enfim, acho que achei a explicação para o fato de estar aqui sentada escrevendo ao invés de estar bebendo numa festa que eu poderia ter ido. Achei, não. Externalizei.
Devo dizer que algumas vezes isso me incomoda.. cresci e já tentei ser diferente. Mas eu já entendi que as pessoas só mudam até certo ponto. Desse ponto e além, a sua essência é uma construção de base muito sólida e não tão fácil de ser alterada. É a partir desse ponto crítico que muitas pessoas precisam levar em conta o que querem e como querem que suas vidas se encaminhem.. E é dessa forma que eu entendi e aceitei que, pra mim, o sábado a noite pode render sorrisos e gargalhadas. A diferença é que algumas vezes elas ecoam e voltam pros meus ouvidos sem que ninguém as escute, enquanto que em outras elas atingem ouvidos amigos, curiosos, desconfiados, estranhos, conhecidos.. E em cada uma dessas situações, um pouco do que eu sou vai, mas sempre pra voltar..

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