2 de set. de 2011

Saudosidades - Parte 2


"Eu tinha acordado ansiosa, era meu primeiro dia de aulas na turma da manhã. Minhas amigas também iam mudar junto comigo, mas mesmo assim me tremia da cabeça aos pés quando entrei no chuveiro, apesar da água quente. Troquei de roupa e coloquei a farda nova, a barriga fazia reviravoltas. Desisti da ideia de comer qualquer coisa que fosse, queria chegar logo e olhar logo pros meus novos coleguinhas de sala. Botei os pés no colégio, que eu já conhecia, mas parecia estar vendo pela primeira vez. Fui andando rápido porque não aguentava a ideia de esperar mais um minuto sequer. Subi as escadas distraída, olhando para baixo, envergonhada e assustada, inquieta. Pelo menos sabia que minhas amigas deviam ter me ligado e estariam a minha espera na sala, algo conhecido pra eu me apoiar. Lembro que eu tinha 9 anos, e enfrentar pessoas desconhecidas era uma ideia tão assustadora, hoje sinto vontade de rir. Não precisei procurar muito pela sala, porque sabia onde era. Fui em direção a ela olhando pra cima somente pra evitar bater em algo ou alguém, e foi em uma dessas vezes que eu levantei os olhos e não consegui mais abaixar. Ele tinha olhado de relance pra mim, sorriu de uma orelha a outra e entrou em uma das salas. Fui andando devagar com o meu coração batendo forte, até perceber que aquela seria a minha sala, também. Olhei dentro da sala em busca, não mais das minhas amigas, mas daquele menino que havia visto há pouco. Lá estava ele, rodeado de mais alguns meninos, soltando brincadeiras e despertando gargalhadas. Das brincadeiras eu já esqueci, mas do sorriso lembro até hoje.."


De repente se viu em outro lugar, alguns anos dali. Tinha 12 anos agora e estava em uma festa, em outra cidade, visitando parentes.
`O nome dele era Vinicius, eu o havia conhecido há apenas quinze dias. Estava passando férias e fui apresentada a ele por uma de minhas primas. Ele era alto, magro, queimado de sol, cabelo arrumadinho de cdf e agia como se fosse um príncipe a ser descoberto, um daqueles que tinha sido tirado do trono quando criança. Era educado e atencioso, charmoso e envolvente, eu simplesmente perdi o fôlego quando o vi pela primeira vez. Desde então, eu passei todas as noites seguintes com uma foto dele por perto, que eu olhava sempre antes de dormir, enquanto ouvia Kiss Me. Minha amiga já não aguentava mais ver me pagando aquele papelão, me chamava de abestalhada apaixonada, mas deitava na cama e cantava comigo, duas adolescentes sonhadoras que nunca tinham beijado ninguém. Naquela noite da festa, eu havia me arrumado cuidadosamente porque sabia que iria vê-lo, e estava nervosa somente por essa perspectiva. Não demorou para que nos encontrássemos - a essa altura todo mundo já sabia da minha queda por ele – e um amigo chegasse pra ele dizendo: Vinicius, olha só quem esta aqui. Ele veio na minha direção andando devagar, eu me senti como se tivesse em um daqueles filmes em câmera lenta, aquele sorriso direcionado a mim, não sabia se sorria ou se ficava quieta, ou tentava me acalmar, ou não fazia nada. A próxima coisa que eu lembro, uma sensação de estar flutuando, imagens de nuvens no ceu apresentavam-se diante de meus olhos fechados, meu coração quase saindo pela boca e uma paz interior tão grande que não combinava com meu estado de êxtase. Quando abri os olhos, olhei pros dele na tentativa de guardá-los na memória, tão próximos que estavam de mim, e sorri."

26 de ago. de 2011

Sessão Contos


Escrevi esse conto com uma finalidade, mas acabei deixando passar a mesma. Mesmo assim, resolvi compartilhar, inaugurando a sessão contos aqui no blog.
Como ele é grande, vou fazê-lo em partes..



Saudosidades - Parte 1
Era uma manhã clara, sem vento, e o sol estava forte. Levantei preguiçosa, abri a porta do quarto e fui olhar o mar. Sorri pensando no dia anterior, quando tinha ido à praia com minha família pela última vez naquelas férias. Adorava o verão, principalmente nas férias de janeiro. 
"Todo ano íamos para a casa de praia, e eu me perdia nos dias ensolarados, tomando banho de mar e ficando com aquele cheiro salgado, que me agoniava, e me fazia ter vontade de um banho no chuveiro. O cheiro do protetor solar, as brincadeiras na areia com meus coleguinhas da escola, os dias em que eu era uma pirata ou uma princesa. Os dias em que eu corria desesperada, com medo que meu colega me alcançasse e dissesse: te peguei! Odiava brincar de esconde esconde e pega pega. Morria de medo de ser pega e ficava tão ansiosa que preferia ser a pessoa que ia procurar pelos outros, a me esconder. A tensão era enorme, a agonia de ser descoberta e perder toda a graça.
Lembro dos dias em que ia com minha mãe na minha barraca de praia favorita, era pequena, comparo hoje ao tamanho de um contêiner, e toda amarela. Tinha o nome pintado de tinta marrom, e ficava numa esquina onde a rua encontrava a praia,
uma das ruas sem saída da praia da minha infância. 
Sorria pensando no peixe frito que eu comia todas as vezes que ia nesse lugar,e sabendo também que as ondas do mar estariam ali, me esperando. Ficava a poucos metros da minha casa, podíamos ir andando. Porque as ondas perto da minha casa eram muito fortes e o mar era muito perigoso para uma menina tão pequena como eu, e por isso minha mãe inventou o peixe frito na barraca mais na frente. O mar por lá era mais calmo e eu podia brincar de flutuar nas ondas, com minhas amigas de prédio, que sempre iam comigo. Ou então com minha mãe, ou com meus tios..
Meu pai nunca ia pra praia, não podia tomar sol. Ficava em casa esperando a gente voltar, tomando uma pinga com os amigos, fazendo aquele churrasco cheiroso, ou então comendo caranguejo. Eu adorava comer caranguejo, especialmente porque eu nunca precisava ter todo o trabalho de quebrar as patinhas, meus pais faziam isso por mim,e me davam o melhor pedaço, aquela pata grande, super gostosa, que eu comia numa dentada e saía toda feliz, correndo e pulando pela casa pra brincar de novo."
Sorriu ao terminar de escrever essas lembranças, tão frescas que se apresentaram, mesmo que houvessem sido há tanto tempo. Estava acordando quando olhou pro ceu e lembrou daquele último dia de férias, há alguns verões atrás.
Duas décadas, para ser exata. Levantou e foi tomar café.
"O café estava amargo quando dei o primeiro gole. Peguei o adoçante e pus mais algumas gotas, enquanto eles falavam sobre os planos de futuro de cada um. Estava sentada com alguns de meus amigos, na casa de um deles, em uma daquelas noites do fim de semana que ninguém quer sair, ninguém quer festa, mas todo mundo quer companhia. Não nos víamos como antes, quando éramos todos do mesmo colégio, e agora as reuniões eram escassas, quase ausentes. Compartilháramos sonhos e sufocos, momentos de angústia, estudamos juntos por muitas madrugadas, e todas essas estórias que ficam intocadas eram sempre lembradas, de uma forma ou de outra. Fiquei sentada tomando meu café paulatinamente, observando e escutando quando dizíamos quais os nossos maiores medos e desejos, agora jovens adultos. As risadas eram tão coordenadas, e a cumplicidade
tão ritmada, que esquecemos do que estava ao nosso redor. Voltamos ao tempo quando já era manhã, e o sol entrava pela janela."
Estava acordada há uma hora e não conseguia parar de lembrar, ao acaso. Sabia que isso iria acontecer, conhecia a si mesma, essa nostalgia saudosa era inevitável diante das circunstâncias.
Havia contudo esquecido quando tinha sido a última vez que tinha dado vazão a seus pensamentos, para que corressem descompassados e desordenados, fossem a lugares não programados, trouxessem à tona medos e saudades de que não lembrava ou ousava recordar.
Deixou a ideia da ausência percorrer seu corpo, respirou fundo e decidiu que hoje não pensaria em pensar. Seguiu em direção à varanda, olhando para o chão de madeira, sentindo-se acanhada diante do porvir..



20 de jun. de 2011

O amor novo: plural + plural

Uma vez eu comparei as pessoas às cores.
Tons de rosa, laranja, verde, preto, azul, amarelo, roxo. Inúmeras e nunca iguais, tem sempre a presença, mesmo que imperceptível, de saturações e contrastes diferentes.
Começo a considerar que não há nada que defina melhor os amores que tivemos, temos e teremos na vida. O conjunto de características: químicas, vontades, medos, ambições, desejos, músicas, filmes, gostos. Gostos culturais e os físicos, mesmo. Porque cada beijo tem um sabor diferente, que, contudo, não depende somente do beijo.
Quando, nessa interminável cadeia de detalhes, pensa-se os amores – para os que o fazem - eles costumam aparecer assim, como se fossem diversos diagnósticos: com data de nascimento (e signo), histórico familiar e experiências de vida. No fim, as características de cada um. Como se nos fosse possível, dotados de informações, fazer a escolha certa – ou escolha alguma.
Conversei com um amigo recentemente sobre o que seria amar. Concluímos que a maioria das pessoas não sabe o que significa amar, nos incluímos nessa massa, mas reconhecemo-nos diferentes porque, pelo menos, sabemos disso. Muitos acham que amam, sem enxergar alem desse dito amor. Dependem, sentem-se sozinhos, amedrontados, sedentos, exagerados, tímidos. São diversos os motivos que encontram para transformar o outro em amado. Objeto do amor.
Outro pensamento. A bendita tampa da panela. Começo a pensar que a cada um de nos eh dada a possibilidade de diversas panelas e tampas, quaisquer que sejam nossos papeis nessa dupla.
Porque, se eu não sou a mesma de dois anos atrás, como eu posso ter a mesma tampa? A fluidez de nos mesmos não permite que exista just one fit. Somos diversos eus em um único corpo e vida, alternando-se diante das possibilidades e fazendo com que elas se adaptem – ou assim deveria ser, visto que somos atores de nossas vidas, ou mais uma vez, deveríamos ser. Como dar a uma cartela de cores somente uma possibilidade de escolha?
Por isso, considero ultrapassada a noção de os relacionamentos unirem um mais um, que formam dois – pior ainda aquele pensamento de que dois formam um. O singular ficou no século passado. Não somos, cada um, unidade. Eu sou plural, tu és plural, nós somos plural. Plural aqui, no singular mesmo, porque o plural e um conjunto (nem sempre homogêneo), mas um conjunto. Plurais são dispersos e amorfos. Pessoas plurais estão muito perdidas para amar e direcionar essa energia pra algo externo, ainda são muita coisa e não souberam juntar os pedaços de si mesmos.
Entao, considerando essa nova possibilidade de que amar mudou, e hoje plural mais plural constitui a nova soma – com resultados diversos, que não podem ser resumidos em fórmula nenhuma, o começo mudou.
O amor hoje traz mais significados estranhos e belos, a depender de quem olha. Ele segue o fluxo da sociedade. Assim como os nossos genes, estamos reconhecendo a impossibilidade e a infelicidade da homogeneidade a qualquer custo.
Se isso faz sentido para os outros sentimentos, porque o amor, o mais insano e perturbado deles, seria deixado de lado?

O desafio mudou. O que deveríamos buscar hoje, ao invés de alguém exatamente como nós – o motivo da angústia de muitos – é exatamente o oposto disso: alguém diferente o suficiente, desafiador o suficiente, para que possam permanecer juntos e discordando. Claro, nos limites do aceitável, porque ainda somos essencialmente conservadores e amedrontamo-nos diante de algo excessivamente novo – talvez isso mude um dia.
Por enquanto, alguém que esteja no limite extremo da nossa paciência, ou algo próximo disso, que nos faca questionar se estamos mesmo certos ou que finalmente entendamos que não há caminho certo, after all.
Afinal, se a concórdia fosse o apogeu da sociedade, o mundo teria tido seu final feliz há séculos.

6 de jun. de 2011

Um brinde!

Pelo tempo, somos um e dois. Ao tempo, agradeço.
Porque hoje posso sentar, e sorrir. E é exatamente o que faço agora, acho graça da vida.
De como o tempo fala, e como ele é um bom professor.
Eu vou dedicar esse texto a todas as pessoas angustiadas. Principalmente aquelas angústias que existem mais dentro do que fora. Aquela dor no peito, aquele pesar, dores que não são físicas. Medos que não são físicos. Dúvidas impossíveis de tocar.
Hoje sou eu quem digo, e amanhã espero que sejam vocês. Brindemos ao tempo.
Já ouvi isso milhares de vezes, principalmente das pessoas mais velhas.
Hoje é alguém jovem que fala. Tenho 22 anos e já posso dizer que viver é a melhor solução.
Independentemente dos seus medos, quais forem, por que ou por quem forem, pare agora e não pense em nada. Vamos a alguns passos, passos que aprendi, e acho que podem ajudar.
A primeira atitude é pensar tanto quanto for possível. Corroer-se de tanto pensar. Até doer fisicamente!
Pensar em todas as possibilidades, alternativas, sentimentos, sonhos, como deveria ser, como queríamos que fosse, como poderia ter sido, como será. Viver o que lhe incomoda, é melhor do que fugir dessa vivência. Se você não fizer isso agora, vai ser perseguido constantemente por esses pensamentos. Por piores, ou melhores, ou iludidos, surreais, mentirosos, verdadeiros, que seja, por mais loucos que possam ser, enfrente-os. Qualquer fuga vai fazer com que se tornem maiores, e vai chegar um ponto que eles vão poder te envolver e você vai perder o controle da situação.
Pronto. Tenhamos em mente, eu me incluo nisso, enquanto não pensarmos desse jeito, vamos nos pegar lembrando e relembrando, e pensando, nas horas mais inusitadas, mais incovenientes, vamos sentir medo da falta de controle. Porque as angústias nos manipulam facilmente, os medos conduzem-nos a um caminho diferente do planejado, e perceber essa mudança sutil nem sempre é óbvio. É preciso estar de olhos abertos, assumir e enfrentar aquilo que se lhe apresenta.
Depois de ter pensado, escrito em livros, visto mil filmes, conversado com todas as pessoas possíveis, gritado, chorado, ficado em reclusão, qualquer coisa, menos fugir, você vai se sentir um pouco mais leve. Um pouco, porque ainda vai ter aquela sombra insistindo em estar do seu lado. É, pra fugir da sombra é preciso, além de tudo, saber aonde o sol vai estar. E como ele vai refletir em você. Tenha em mente, o sol nunca muda os lugares em que vai estar. É sempre um só. Mas você pode mudar suas posições, os ângulos que ele reflete em você. É assim também com as suas atitudes em relação à sua vida.
Quando tudo isso tiver sido feito, o copo estiver vazio, ou quase vazio, pode sorrir. Os pesos vão caindo das suas costas, e somente aquilo que realmente importa vai se apresentar a você. Claro, isso não acontecerá a menos que você deixe. Continuar nos sonhos, nos filmes, nas ilusões, a partir de agora, é insistir em carregar a sombra mesmo quando ela já saiu de moda.
Não tenhamos pensamentos fora de moda! Mas claro, a moda é SUA. MINHA. Cada qual tem o seu. A única tendência que sempre está em voga é a procura constante da felicidade de si, para si, consigo e com os outros.
Depois de tudo isso, faça o que tiver de ser feito. Racionalmente, emocionalmente, faça o que você achar que tem que fazer. Lembre-se contudo que toda ação tem uma reação. Considere as possibilidades de reação, e esteja preparado pra elas. Não existe certo e errado se você sabe o que vem e o que resulta daquilo que você buscou ou agiu em busca de.
Agora vem a melhor parte. Continuar. Keep moving. Move on. Olhar pra frente. A essa altura deveríamos estar cansados de insistir em sentir o que não nos faz bem. É essa a intenção.
Na próxima festa, peça a palavra e faça um brinde. Brinde ao tempo. Sorrindo, olhando nos olhos dos seus amigos, brinde ao tempo e deixe estar.
Com o passar do tempo, esquecendo o que deve ser esquecido, lembrando do que foi bom, tudo se encaixa. Pode acreditar. E a sensação é de liberdade..




1 de jun. de 2011

Desenhei minha casa nova

"Acordei de um sonho. Acabei de levantar e corri pro caderno de desenhos. Sonhei com uma casa nova.

Depois de desenhar o que eu vi no sonho, vim contar o que senti. Ela é grande, de madeira, com decoração leve e com cara de casa de vó. Nada muito moderno, porque modernidade demais acaba afastando a sensação de conforto, de humanidade.

Cheia de livros, guardados nos lugares mais inusitados, e uma sala de estar grande o suficiente para abrigar todos os meus amigos, confortavelmente, e com isolamento de som para que ninguém possa escutar nossas confidências.

Os quartos, sonhei que eram vários, não pensei em números. Imaginei que seriam coloridos, com uma varanda aberta, que desse pro jardim ou para a praia, dependendo do ângulo em que estivessem. De uma forma ou de outra, todos acordariam suficientemente inspirados pra mais um dia de convívio. É uma casa onde compartilharei momentos com as pessoas mais importantes da minha vida, e que nunca ficará vazia.

O meu quarto é espaçoso e confortável, nem muito grande, nem muito pequeno. Com um closet grande o suficiente para que eu possa me olhar no espelho, dançar e cantar nos dias de loucura e chorar sentada no chão sem que ninguém me interrompa. A vida nem sempre é feita de alegrias.

O som da casa é acústico. Está em todos os cômodos. Assim eu posso acordar meus amigos com uma música alegre, ou colocar uma música baixa de ninar, quando meus filhos quiserem dormir.

O sol entra em todos os cômodos, e a luz da lua se amplia onde chega. O espaço no jardim é adequado para uma noite sob o luar, entre pensamentos delirantes e declarações de amor, porque o amor é o alimento do sentimento da casa. Amor entre amigos, entre dois amantes, pais e filhos, irmãos, familiares.

A sensação é de paz profunda e de certeza de que a casa nova é exatamente aquilo que deveria ser. Mais importante do que qualquer arquitetura ou projeto de arquiteto, ela foi desenhada por mim, para agradar a mim e aos que a visitarão, e eu tenho a certeza de que ela será sempre lembrada. Porque a sinceridade e a transparência de seus cômodos, e a sensação que ela passa, são de verdade.

Tenho a imagem, tudo na cabeça. Mas, mais importante que isso, tenho a sensação no coração. É linda de se sentir.

Como é a sua casa?"

Beatrice Cartiller

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